Mansfield Park (1999)

Mansfield Park foi sempre visto comoo romance mais confuso de Jane Austen. Estudiosos dividiram-se perante o seu mérito literário, e muitos fãs de Austen preferem ignorar a sua existência, vêem-no como a “ovelha negra” das seis obras completas da escritora.
Mansfield Park também intimidou os realizadores de cinema (…). Há três problemas maiores associados com as filmagens de Mansfield Park: o texto é longo; passa muito por um trabalho introspectivo, grande parte da acção toma lugar dentro da cabeça da heroína; a própria heroína é passiva e difícil de agradar aos leitores. Colocá-la no ecrã tal como é descrita na obra afastaria, provavelmente, o público.
No filme de 1999, Rozema (a realizadora) decide alterar o text. Retira do texto algumas cenas e personagens. Permite que Fanny interpele a câmera, não sendo necessário a voz off. E, mais importante, altera a personalidade de Fanny, colocando nela muito de Jane Austen. O resultado é um híbrido do autor e da criação. Fanny é muitas vezes vista como a personagem mais autobiográfica de Jane Austen, daí a alteração feita por Rozema. O resultado é uma Fanny brilhante, engraçada e afável (…).
Rozema também adiciona alguns temas novos ou traz à superfície outros. Uma nova adição é o carácter fortemente feminista do filme (…) o tema da Escravatura é trazido à superfície e aprofundado no filme (…).
Adaptado integralmente, Mansfield Park seria muito mais longo e muito menos envolvente. Rozema transformou o romance de forma a ser mais acessível mas permanecendo fiel aos temas, ideias e história base de Jane Austen (…).
Texto original de James Berardinelli
Traduzido por Clara Ferreira