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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

O Pecado de Lydia Bennet

(Fonte - clicar na imagem )

 

Lydia, a mais nova das irmãs Bennet, é aquela que casa primeiro. O seu escolhido é o galante Mr. Wickham que, para a maioria de nós, teve a sua quota de carinho no enredo da história até descobrirmos o quanto estávamos enganadas. Temo que Lydia só tenha feito tal descoberta, tarde de mais na sua vida.

 

Pergunto-me muitas vezes porque razão Jane Austen sacrifica tanto esta personagem. Não posso dizer que seja uma personagem com a qual crie empatia, não, longe disso! Jane Austen descreve-a como sendo completamente exuberante sendo um poço de excessos, superficialidade, inconsciência, irresponsabilidade e total falta de decoro. Mas ao mesmo tempo... Lydia revela-se extremamente ingénua a ponto de fugir com Wickham, escrevendo aquela nota. revelando uma completa inconsciência e uma estranha ingenuidade. Sem a intervenção de Darcy, ou seja, não havendo casamento entre Lydia e Wickham, ela seria provavelmente uma versão de Eliza de S&S, que mais tarde ou mais cedo seria abandonada por Wickham.

 

A situação da fuga de Lydia é facilmente comparável com aquela que acontece em Mansfield Park entre a recém casada Maria (Bertram) Rushworth e Mr. Henry Crawford, aliás, conhecendo esta obra são mais claras as consequências da situação do que em Orgulho e Preconceito (se bem que em Mansfield Park a situação é mais gravosa, uma vez que falamos de uma mulher casada).

Lydia é resgatada em nome do grande amor de Darcy por Elizabeth, pois de outra forma, Darcy jamais (?) poderia relacionar-se com Lizzie, uma vez que a má conduta da irmã se alargaria às restantes, como tão bem percebemos na obra.

 

Colocando-nos no tempo e no espaço da obra, a fuga de uma mulher com um homem sem estarem vinculados pelo matrimónio implicava uma total renegação pela dita “Sociedade”, não só a própria era afetada socialmente como também os seus parentes, pois era comum tais situações serem relatadas em jornais públicos (daí algumas das afirmações e pensamentos de Lizzie em relação a Mr. Darcy), gerando uma panóplia de boatos, maldicencias e fofoquices que corriam qualquer cidade e pequena vila em poucos dias.

 

Apesar de ser altamente mal visto na época, como talvez hoje em dia, temos apenas de ressalvar, que à data, não eram permitidos os divórcios, o casamento era perpétuo sem possibilidade de “desvinculação” – além disso, sabemos, e Jane Austen mostra isso muito bem, que grande parte dos casamentos era então feita por interesse social ou económico e não por afeição mútua entre os cônjuges (com sorte, isso veria depois para alguns). O recurso à “fuga” era muito comum para romper com a vida em comum, se bem que o estado civil permanecesse o mesmo – lembro-me de títulos como “The Tennant of Wildfell Hall” de Anne Bronte e a própria história da vida da escritora George Elliot.

 

Contudo, a “fuga” de Lydia nada tem que ver com estas causas, apenas foi o reflexo de muita inconsciência, muita irresponsabilidade e muita falta de disciplina por parte dos pais. Porque quereria Wickham fugir com Lydia? Duvido que tivesse qualquer intenção de casar com ela, os Bennet não tinham fortuna, logo isso excluia qualquer vantagem que pudesse existir; tal como Lizzie estou convencida que não lhe tinha afeição; li algures na imensidão da net que tudo se passou como plano de fuga não de Lydia, mas de Wickham, e ela foi apenas uma adição à fuga de Wickham que tinha já uma série de "credores" à perna.Quanto à felicidade deste casamento... isso é outra história e outro artigo!

 

 

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