Mr. Martin, é o chefe de família, uma vez que é órfão de pai e por isso, tem de sustentar a mãe e irmãs. Imagino-o ainda bastante jovem e por isso, com uma enorme responsabilidade nas mãos que ele assume totalmente e com bastante honra e dignidade, diria eu.
Não faz parte da classe alta de Highbury e por isso pouca relevância lhe é dada, ainda assim, é um personagem interessante.
Um personagem consideravelmente secundário... mas atenção, gerador das mais interessantes situações em toda a obra. Ele é o responsável por uma das melhores discussões entre Emma e Mr. Knightley, a propósito da rejeição de Harriet ao pedido de casamento de Robert Martin.
"Nonsense, errant nonsense, as ever was talked!" cried Mr. Knightley. "Robert Martin's manners have sense, sincerity, and good-humour to recommend them; and his mind has more true gentility than Harriet Smith could understand."
Conhecemos Robert Martin pela visão desfavorável de Emma Woodhouse que vê nele uma ameaça para o seu feliz plano de juntar Harriet com Elton. No entanto é por Mr. Knightley que o ficamos a conhecer melhor, uma vez que Robert Martin trabalha para ele.
A alta conta em que Mr. Knightley tem a pessoa Mr. Martin, levam-me cegamente a considerá-lo de forma igual. Mas é a sua constância na paixão por Miss Smith que o valorizam ainda mais aos meus olhos.
Desconhecemos os seus sentimentos na primeira pessoa... é-nos dada a conhecer as características da carta em que propõe Harriet em casamento e, mesmo pela visão destorcida de Emma, esta considera-a uma excelente carta! Creio que esta situação não é explícita no livro, mas se sabemos da ajuda que Harriet teve de Emma para escrever a carta de rejeição...poderemos atribuir alguma ajuda de Mr. Knightley na redação da carta de proposta de Mr. Martin?
"She read, and was surprized. The style of the letter was much above her expectation. There were not merely no grammatical errors, but as a composition it would not have disgraced a gentleman; the language, though plain, was strong and unaffected, and the sentiments it conveyed very much to the credit of the writer. It was short, but expressed good sense, warm attachment, liberality, propriety, even delicacy of feeling."
"Yes, indeed, a very good letter," replied Emma rather slowly -- "so good a letter, Harriet, that every thing considered, I think one of his sisters must have helped him. I can hardly imagine the young man whom I saw talking with you the other day could express himself so well, if left quite to his own powers, and yet it is not the style of a woman; no, certainly, it is too strong and concise; not diffuse enough for a woman. No doubt he is a sensible man, and I suppose may have a natural talent for -- thinks strongly and clearly -- and when he takes a pen in hand, his thoughts naturally find proper words. It is so with some men. Yes, I understand the sort of mind. Vigorous, decided, with sentiments to a certain point, not coarse."
Mais tarde, pela voz de Mr. Knightley conhecemos o coração destroçado de Mr. Martin.
Now, Mr. Knightley, a word or two more, and I have done. As far as good intentions went, we were both right, and I must say that no effects on my side of the argument have yet proved wrong. I only want to know that Mr. Martin is not very, very bitterly disappointed."
"A man cannot be more so," was his short, full answer.
É aqui que sabemos que Mr. Martin não está só "embeiçado" pelos lindos olhos de Miss Smith, ele está profundamente apaixonado... um pouco ao estilo de um Capitão Wentworth, mas sem a vertente do ressentimento. Mr. Martin com certeza, fica destroçado, mas os seus sentimentos em relação a Harriet mantêm-se apaixonados, e ele nunca desiste de a conquistar - lembro-me da cena na loja de Mr. Fox (creio que será este o nome). Isto, creio eu, porque ele sempre soube que a recusa de Harriet não viria do coração, mas sim da mão da recente amiga Miss Woodhouse. Mr. Martin, pela descrição de Mr. Knightley, tinha inteligência suficiente para perceber a "teia" em que Harriet estava envolvida. À semelhança de Wentworth, que nunca soube perdoar totalmente Lady Russell, penso que o nosso excepcional Mr. Martin, também nunca soube perdoar Emma Woodhouse.
Talvez esta similitude com Wentworth seja um pouco forçada, mas parece-me a mim que faz sentido... ambos tiveram de ganhar pela vida; ambos foram passados para segundo plano por não terem "pedigree"; ambos foram rejeitados pelas amadas por estas terem sido persuadidas a tal... será no mínimo, um "ante-projecto" de Wentworth!
"Harriet Smith was the natural daughter of somebody. Somebody had placed her, several years back, at Mrs. Goddard's school, and somebody had lately raised her from the condition of scholar to that of parlour-boarder.
She was a very pretty girl, and her beauty happened to be of a sort which Emma particularly admired. She was short, plump and fair, with a fine bloom, blue eyes, light hair, regular features, and a look of great sweetness; and before the end of the evening, Emma was as much pleased with her manners as her person, and quite determined to continue the acquaintance. "
Harriet Smith é a filha natural de alguém que foi deixada aos cuidados de Mrs. Goddard para ser educada na sua escola. Sabemos que é possuidora de uma beleza requintada, mas pouco mais... À vista salta-nos a sua simplicidade, a sua humildade, a sua dependência da opinião de Emma, a quem ela venera do fundo do coração.
"Oh! no, I am sure you are a great deal too kind to—but if you would just advise me what I had best do—No, no, I do not mean that—As you say, one's mind ought to be quite made up—One should not be hesitating—It is a very serious thing.—It will be safer to say "No" perhaps.—Do you think I had better say "No?"
Não podemos dizer que Harriet seja muito perspicaz, mas também me parece demasiado fazer dela tão obtusa como por exemplo na adaptação de Emma de 1996 da Miramax, ou tão rústica como na adaptação de 1997 da BBC. Harriet Smith tam apenas 17 anos e todas as dúvidas e incertezas próprias dessa idade, encontra em Emma um modelo a seguir e absorve tudo o que esta lhe transmite. Não acho que a influência de Emma seja totalmente negativa, embora não seja completamente bem conduzida.
"You surprize me! Emma must do Harriet good: and by supplying her with a new object of interest, Harriet may be said to do Emma good. I have been seeing their intimacy with the greatest pleasure. How very differently we feel! Not think they will do each other any good! This will certainly be the beginning of one of our quarrels about Emma, Mr. Knightley."
Muitas vezes vejo Harriet como uma Miss Morland, o que pensam desta associação? Ambas possuem a mesma ingenuidade, a mesma modéstia, a mesma dependência das opiniões dos restantes e ambas têm uma considerável evolução ao longo da história.
A boda foi mais ou menos como as outras bodas, em que os noivos nenhum gosto demonstraram pelo luxo ou pelo estadão; por isso, Mrs Elton, informada de todos os pormenores pelo marido, achou-a inferior à sua. " Que probreza de cetim branco e de véus de renda! Uma coisa bem desprezível! Selina havia de pasmar se soubesse!".
Se sempre quiseram saber como a própria Mrs Elton iria vestida, agora têm aqui a vossa oportunidade. O Jane Austen Centre oferece-nos a oportunidade de vermos a Mrs. Elton vestida de noiva. Para quem não sabe o Jane Austen Centre tem uma loja online onde vende os mais diversos artigos inspirados no mundo de Jane Austen; alguns artigos são roupa dos tempos da Regência, recentemente encontrei um vestido de noiva e casacos em que a modelo é Christina Cole, a nossa Mrs Elton na última adaptação de Emma. O vestido foi desenhado por Andrea Galer responsável pelo guarda-roupa de Persuasão 2007 e Miss Austen Regrets. Ficam aqui algumas imagens. No fim deixo os links para verem melhor os pormenores.
Criações da Andrea Galer disponiveis no Jane Austen Centre: link
P.S. em duas das imagens do Spencer Jacket está a Ruth Wilson, a Jane Eyre da adaptação de 2006, talvez a treinar para uma futura adaptação de uma obra de Austen :)
Northanger Abbey refere-se ao nome do castelo pertencente a uma das famílias envolvidas nesta obra de Jane Austen, os Tilneys. Contudo, com este título parece que toda a acção do livro teria lugar na abadia quando, na verdade, a acção só aí começa a desenrolar-se a partir do vigésimo capítulo. Então, porquê este título?
Primeiro, é importante ressaltar que não foi Jane Austen que o escolheu. O livro só foi publicado após a sua morte e foi o seu irmão quem escolheu este título. A autora havia-o intitulado de ‘Catherine’, nome da protagonista. Isto levanta a questão de saber porque é que o irmão de Jane Austen achou que ‘Northanger Abbey’ seria um título mais adequado.
Uma possível explicação reside no conteúdo da obra. A Abadia de Northanger satiriza os populares romances góticos do século XIX e neles, os antigos castelos e abadias são retratados como lugares assustadores e arrepiantes e os seus títulos apontavam quase sempre para os lugares onde decorria a acção. Da mesma forma, Northanger Abbey ajuda os leitores a adivinhar a intenção satirizante da obra.
Outra explicação possível para o título reflecte uma das principais preocupações temáticas do romance. Catherine Morland, a protagonista do livro é obcecada com romances góticos e, consequentemente com Northanger Abbey a partir do momento em que ouve falar dela. Todavia, ao longo da história aprende que a vida não é um romance gótico e que a Abadia de Northanger é apenas a residência da família Tilney e não um lugar que possa satisfazer os seus desejos de aventuras góticas.
Não consigo precisar o dia ou sequer o ano. Mas sei que foi numa noite de zapping. Ao passar pelo 'People and Arts', canal da Tvcabo dei de caras com um Colin Firth (que já conhecia vagamente) guedelhudo. Curiosa, pousei o comando da televisão e colei os olhos na televisão até aquele episódio acabar, para tristeza minha. Na semana seguinte, lá estava eu a assistir ao episódio seguinte. Claro que já tinha ouvido falar de Jane Austen e das suas obras mas nunca prestei demasiada atenção, até porque a literatura inglesa clássica não me atraía muito. Fiquei apaixonada pela série, pela história, pelos actores, enfim por tudo.
Em vão, procurei o livro. A internet ainda não estava presente como está nos dias de hoje e, por isso, quando vi exposto num quiosque uma daquelas colecções da Planeta Agostini com o livro "Orgulho e Preconceito" delirei literalmente e disse para mim mesma, antes de entrar, que pagaria qualquer valor por aquele livro que comprei. Li-o quase de um só fôlego. Depois, com tempo, fui pesquisando as outras obras, as adaptações televisivas... Lembro-me de ter visto 'Persuasão' com o Ciarán Hinds mas não fiquei muito agradada com os actores, apesar de ter adorado a história. E a carta... Oh, a carta!... Só bem mais mais tarde, me apaixonei pelo Captain Wentworth de Rupert Penry Jones e pela Anne da Sally Hawkins.
Jane Austen veio sempre até mim em forma de surpresa. Um dia, distraída a passear na Fnac, eis que me deparo com o dvd da série com o Colin Firth. Comprei obviamente e pouco tempo depois soube que ia sair para cinema uma nova adaptação com a Keira Knightley. Ainda guardo o bilhete do cinema (26 de Janeiro de 2006, sessão das 18h30) no meio do meu livro 'Orgulho e Preconceito'. E continuo a reiterar aquilo que disse quando saí dessa sessão de cinema: Matthew Macfadyen é o verdadeiro Mr Darcy!!! Com os devidos e merecidos créditos a Colin Firth que também não esteve mal. Mas o Mr Darcy de 2005 é aquele que eu imagino sempre que leio e releio o livro.
Ultimamente com a internet fazendo parte integral da nossa vida, leio tudo sobre Jane Austen e as suas obras. Já vi a maioria das adaptações e ando a criar coragem para ler 'Mansfield Park' . Adoro tudo o que se relacione com ela e as suas obras e só tenho pena que o mérito desta escritora tenha surgido verdadeiramente, muito depois do seu desaparecimento.
Quem leu os livros do Diário da Bridget Jones, certamente se lembrará que ela tinha uma obsessão pela adaptação da BBC de Orgulho e Preconceito. Para ser mais exacta a obsessão era mais pelo Colin Firth e pela cena da camisa molhada. No segundo livro, Bridget acaba por conseguir uma entrevista com o Colin Firth. Esta entrevista nunca chegou a entrar no segundo filme, porque como sabem o Colin Firth entra no filme e por isso a cena ficaria deslocada. No entanto a cena foi filmada e incluída como extra no DVD, pelo menos na edição Americana. Não sei se a nossa também tem tal cena já que não tenho este dvd. Deixo-vos aqui o vídeo que encontrei no Youtube. A entrevista original que aparece no livro pode ser lida aqui e foi mesmo feita a Colin Firth!