A 4ª edição da Revista JAPT já está disponível online.
Esta edição teve como tema central Sensibilidade e Bom Senso.
Para participar na próxima edição, basta enviar um mail com o artigo para o nosso email: janeausten@sapo.pt, o único requisito é cingir-se ao tema. No próximo número, o tema será Abadia de Northanger. Quem desejar pode enviar os textos até dia 29 de Junho. Para mais informações visite o nosso site.
Clique na imagem para fazer o download gratuito da 4ª edição. Espero que gostem e divulguem!
Sir John Middleton e Lady Middleton são duas personagens secundárias no enredo de "Sensibilidade de Bom Senso".
Sir John é apresentado como sendo um homem bem parecido, com cerca de quarenta anos. (...) O seu ar era bem humorado e os seus modos tão amigáveis como demonstrara o conteúdo da sua carta. Preocupava-se sinceramente com Mrs Dashwood e as suas filhas.
Sir John terá grande importância no destino das meninas Dashwood. É ele que lhes oferece guarida, protecção e convívio social. Será ele que levará ao conhecimento de Marianne o coronel Brandon e, para o mal, será ele que de certa forma dita o malogrado interesse daquela por Willoughby através da forma pouco cuidada com que fala dele. A sua falta de perspicácia na avaliação das pessoas leva-o a fazer uma avaliação positiva de Willoughby, o que, até certo ponto, influencia a opinião de Marianne das outras meninas Dashwood bem como de Mrs Dashwood sobre o cavalheiro. Apresenta-o como sendo o rapaz mais sério do condado e refere-se apenas aos seus dotes enquanto atirador.
Na minha opinião, esta avaliação vai condicionar favoravelmente a opinião das Dashwood e consequentemente as acções de abertura ao convívio entre elas e Willoughby. Talvez se Sir John Middleton tivesse sido mais cauteloso na manifestação da sua opinião sobre um cavalheiro que afinal não conhecia bem, a história assumisse outro rumo e Marianne fosse poupada a tão grande desgosto.
Já Mrs Middleton é descrita como tendo cerca de vinte e sete anos e como sendo bonita e de figura alta e interessante. Os seus modos são vistos como graciosos. Comportava-se com toda a elegância que faltava ao seu marido. Mas ainda poderia melhorar com um pouco da franqueza e do calor do seu marido. Era reservada e fria.
A antipatia que cria Mrs Middleton é abafada pela personalidade calorosa de Sir John Middleton. Eu atrevo-me a dizer que até o facto de ter sido menos cuidadoso com a apresentação de Willougbhy não poderá ser levado muito em conta, considerando a sua personalidade afável e sincera e sua precocupação genuína com Mrs Dashwood.
Toda a obra de Jane Austen está cravada de realismo, não só social e económico como também geográfico. Jane não extravasa os locais geográficos que conhecia. Se nos recordamos da sua biografia e da sua obra verificamos que, geograficamente, estas se situam, praticamente, na zona sul de Inglaterra. Tal aspecto torna, para mim, ainda mais fascinante a sua personalidade e a sua obra. Quantos escritores viajaram pelo seu país e pelo estrangeiro para poderem escrever um poema ou um romance? Jane não necessitou disso. Partindo da realidade que conhecia, criou um novo mapa para as suas obras em que locais reais se confundem com locais imaganidos; em que distâncias reais assumem novos caminhos e novas latitudes ao sabor da sua pena.
Num post anterior referi os lugares reais que constam da obra de Jane, tendo-os dividido em locais que Jane apreciava e os que ela não gostava de todo ou menos apreciava. Este post é, ao contrário, apenas dedicado aos lugares imaginados, circunscritos a "Sensibilidade e Bom Senso", que inspirados na realidade acabaram por ser fruto da imaginação de Jane.
Em baixo encontramos um mapa, retirado daqui, com os locais reais e fictícios devidamente assinalados.
Em "Sensibilidade e Bom Senso" encontramos locais reais como o condado de Sussex, onde se situa "Norland Park", a residência dos Dashwood, que mais não era do que um lugar retirado da imaginação de Jane. Havia muito que a família Dashwood se instalara no Sussex. A sua propriedade era grande e mesmo no centro situava-se Norland Park, a sua residência, onde há muitas gerações viviam tão respeitavelmente que conseguiram conquistar a consideração de quem nas redondezas os conhecia.
No entanto, como sabemos, a acção irá decorrer principalmente no condado de Devonshire, também no sul de Inglaterra, mais concretamente no Barton Park e em Barton Cottage, para onde se mudam as meninas Dashwood depois da morte de seu pai. Se é com tristeza que deixam o Sussex, é com alegria que irão receber nos seus corações Devonshire. Este era inicialmente imaginado como um sítio impossível de gostar, mas ao entrarem no condado verificam que este tem mais beleza do que a princípio imaginavam. Jane descreve a chegada das meninas Dashwood a Barton Valley com bastante leveza. Este lugar, parece-me, é retirado apenas da sua imaginação em harmonia e perfeito enquadramento no realismo paisagístico daquele condado.
A primeira parte da viagem foi realizada com um estado de espírito tão melancólico que não podia deixar de ser aborrecido e desagradável. Mas à medida que se aproximavam do fim, o seu interesse pelo aspecto de um condado onde deverima passar a habitar venceu a sua tristeza e vista de Barton Valley, quando aí entraram, trouxe-lhes alegria. Era um lugar agradável e fértil, muito arborizado e rico em pastagens.
Barton Cottage, a casa para onde se mudam, é descrita da seguinte forma: (...) apesar de pequena, era confortável e sólida; mas como pequena casa de campo tinha defeitos, pois a construção era simétrica, o telhado era de telhas, as portadas das janelas não estavem pintadas de verde, nem as paredes estavam cobertas de madressilva. Uma passagem estreita levava directamente, através da casa, até ao jadim de trás. De ambos os lados da entrada havia uma sala de estar, com cerca de dois metros quadrados; atrás era a zona de serviço e as escadas. Quatro quartos e dois quartos de arrumos compunham o resto da casa. Não fora construída há muito e estava bem conservada. Em comparação com Norland, era, sem dúvida, pobre e pequena!...
Já a zona circundante da casa é assim apresentada: Logo atrás dela elevavam-se altos montes e de ambos os lados havia outros, não muito distantes. Uns eram despidos, outros cultivados e arborizados. A aldeia de Barton localizava-se num desses montes e proporcionava uma bonita vista das janelas da casa. Da parte da frente o panorama era mais amplo, dominava o vale e atingia o distrito seguinte. Os montes que circundavam a casa delimitavam naquela direcção o vale. Sob outro nome e nouro sentido, ramificava-se de novo entre duas mais abruptas elevações.
Depois destas decrições, fica o desejo de ir calcorrear as pegadas de Jane Austen por entre montes e vales, cidades e casas de campo, e olhar as paisagens que outrora inspiraram Jane Austen. Quem sabe, um dia?
Não me consigo decidir pelo "grau" em que gosto desta obra de Jane Austen... Que gosto é certo, porque gosto de todas as suas obras que já li, e gosto num grau muitissimo elevado, mas este livro tem qualquer coisa que me faz colocá-lo logo abaixo de Orgulho e Preconceito e Persuasão mas acima do Parque do Mansfield... Mas em relação a Emma, por exemplo, não sei "como o colocar".
As personagens que me "coube" apresentar neste blogue são James Morland e Isabella Thorpe. Opto por uma apresentação em conjunto porque no fundo a personagem de J.Morland tem interesse não tanto como irmão de Catherine, mas sim como "apaixonado e cego" por Isabella.
J. Morland é apresentado como "... sendo de disposição muito amigavel e sinceramente dedicado à irmã,...", mas o seu papel "principal" nesta obra é como apaixonado por Isabella, que o leva até a ser menos "dedicado" a sua irmã. James estudou com o irmão de Isabella e tornou-se "próximo" da familia. Esta proximidade permitiu-lhe encontrar a irmã em Bath, mas acima de tudo fez com que ele abrisse o seu coração à linda Isabella. Este sentimento que ele nutre por Isabella tornou-o "cego" aos defeitos desta. Não é que outros menos apaixonados ou sem paixão, não o tivessem sido também (como é o caso de Catherine) mas J.Morland entrega completamente o seu coração e a sua vida a esta. Isabella tendo perfeita noção deste facto utiliza mesmo esta ascedencia sobre ele para os seus "caprichos". "... era a primeira vez que o seu próprio irmão se colocava contra ela..." e esta sua atitude era completamente condicionada por Isabella que "... entretanto, levara um lenço aos olhos e Morland, infeliz perante tal visão, não se controla...". Considero que Morland era um rapaz sério e por isso levou a sério a sua relação com Isabella, chegando a falar com o seu pai. O seu sentimento por Isabella era tão forte que não lhe permitiu agir na altura certa quando viu o que Isabella "andava a fazer"... Aliás quando finalmente "se rende às evidencias" e desfaz o seu compromisso com Isabella escreve uma carta amargurada à sua irmã em que lhe diz "... espero que perdoes tudo ao teu irmão menos a loucura de pensar que os seus afectos eram retribuidos."
Isabella Thorpe, como se pode verificar pelo que refiro anteriormente não é uma "pessoa boa". É vaidosa, "sequiosa" de atenção e, considero até, "falsa"... Estarei a ser demasiado dura com ela?
A própria mãe de Isabella ao apresentá-la diz: " A mais alta chama-se Isabella, é a minha mais velha, e é ou não uma bela rapariga?". isabella sabe que é bonita e manipula todos a seu belo prazer: sabe ser docil e simpatica para cativar todos... Quaanbdo conhece Catherine desde logo a cativa com os seus modos. "A evolução da amizade entre Catherine e Isabella fora tão rápida como caloroso o seu inicio, e passaram tão depressa pelas várias fases de desenvolvimento da ternura que em breve nem ela nem os amigos do inicio se lembravam.Chamavam-se pelo nome, uando passeavam íam sempre de braço dado, apanhavam a cauda do vestido uma à outra para dançar, e não se afastavam um segundo sequer." A sua amizade com Catherine parece forte mas parece-me que é apenas conveniente e serve os propósitos de Isabella. Assim que Catherine partilha a sua amizade e atenção com um terceiro interveniente e começa a comprometer alguns planos de Isabella, ela mostra o seu verdadeiro "eu". E Catherine começa a perceber esta "falsidade" de Isabella em algumas situações, nomeadamente na "busca" de atenção como com F.Thorpe. Aliás, após alguns "deslizes" de Isabella e depois do que ela faz ao seu irmão Catherine diz: "Tanto pior para Isabella e para a nossa intimidade (...) Ela não passa de uma vaidosa (...) Não acredito que tenha qualquer consideração por James ou por mim, e como desejava nunca a ter conhecido." Não concordo com Catherine... ainda bem que Isabella existe nesta obra... torna-a muito mais viva!