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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Canecas Literárias

Já aqui tinha dado conta de uma promoção da Fnac onde eram oferecidas canecas com as imagens das edições dos clássicos da Editora Civilização. Consegui finalmente saber as canecas que vendem. De Jane Austen temos Orgulho e Preconceito e Persuasão. Há também de Jane Eyre, Ana Karenina, Madame Bovary e  A Queda de um Anjo. Cada caneca custa 4,90€.

 

Aqui ficam as imagens das canecas das obras de Jane Austen:

 

 

imagens retirados do site da Fnac

O significado de "virtudes domésticas" em Persuasão por Susana Lopes Bastos

No último Clube de Leitura Jane Austen, da Bertrand, em Lisboa, o livro em discussão foi "Persuasão. No final ficou em aberto uma questão que se prendia com o significado da expressão "virtudes domésticas" que consta do último parágrafo do livro. Comprometi-me com as colegas do Clube, a Ana Saraiva, a Maria Fernanda e a Susana Lopes Bastos, em verificar e partilhar a minha opinião sobre o assunto. Entretanto, a Susana Lopes Bastos, deixou-me a sua reflexão sobre o assunto. Achei que era de grande interesse partilhá-la. Por isso, o texto que aqui vos deixo é da autoria da Susana Lopes Bastos.

 

(...) quanto às "virtudes domésticas", penso que terá que ver com a admiração que a Jane Austen nutria pela marinha. Ela própria teve dois irmãos que chegaram a almirantes e como excelente observadora da sociedade do seu tempo traçou-nos, e no Persuasion isso é muito evidente, retratos dos vários tipos de extractos sociais que poderiam dominar social e politicamente o país naquele tempo e nota-se que, dos três grupos retratados em Persuasion que poderiam ter um papel de liderança e de governo do país, ela preferia nitidamente as famílias ligadas à marinha. Nos aristocratas, com berço e linhagem mas com vidas vazias, sem qualquer contacto com a realidade das populações, inúteis, vaidosos, muito fechados no seu próprio círculo, demasiado preocupados com as aparências e extravagantes, não se pode confiar para continuarem a ser os líderes das suas próprias comunidades como tinham sido tradicionalmente até ali. Depois há o outro grupo, de pessoas não nobres mas "de bem", os cavalheiros e as suas famílias, muitas delas bem antigas, tradicionais, ricos, mas demasiado conservadores. No caso de Persuasion, Anne prefere os Musgroves à sua própria família, porque embora não sejam muito elegantes nem muito cultos são cordiais, despretensiosos e têm bom coração. No entanto considera-os incapazes de governar o país no sentido de o modernizar e de o preparar para o futuro (nem os seus filhos considera capazes disso porque embora com modos e pensamentos mais modernos, não têm peso, não são influentes). Ela prefere, por isso, as famílias ligadas à marinha, para levar o país para o futuro. Considera-os melhor preparados pela sua integridade, lealdade, pela bravura demonstrada em combate, pelo seu vigor, pelos seus valores. Nas últimas linhas de Persuasion Jane Austen traça o retrato do papel da marinha na sociedade inglesa. Reconhece que o futuro da Anne poderá não ser inteiramente feliz, sempre com o receio de uma nova guerra e das possíveis separações prolongadas do seu marido. Esse é o preço a pagar por ser mulher de um oficial da marinha e apesar dos riscos ela exultava em ser mulher de um oficial da marinha. Há quem considere este livro muito auto-biográfico e aqui eu penso que a Jane Austen, enquanto fala da Anne, nos dá a sua própria opinião sobre os marinheiros e depois escreve mesmo, enquanto autora, que eles eram (para ela), se possível, ainda mais importantes internamente enquanto membros da sociedade do que no seu papel de defensores da nação e nos serviços que lhe prestavam, a essa nação, no exterior. Ao longo do livro, embora refira alguns personagens como sendo oficiais da marinha ela não nos diz o que eles fazem enquanto membros da profissão. A sua função na narrativa era apercebermo-nos de como os membros da marinha eram bem vistos pela sociedade civil. E por não lhes ter dado mais importância do que isso ao longo do livro, ela reconhece, nas últimas linhas, o papel fundamental da marinha, o bem que fazia pelo país, não só na sua defesa, na manutenção das suas fronteiras e das suas colónias mas também como meio de ascensão social e de conservaçãos dos valores ingleses. É uma forma dela honrar a marinha, considerando o trabalho árduo e a boa sorte uma forma honrosa de subir na sociedade e assim contribuir para uma sociedade mais forte, mais íntegra, mais plural, mais desenvolvida e mais moderna. E serão essas, na minha opinião, as suas "virtudes domésticas".

 

 

Se tiverem outras interpretações, partilhem.

 

Susana Lopes Bastos

 

 

Espero que tenham gostado e que, também por aqui, consigam acompanhar as discussões que vão tendo lugar no Clube de Leitura.

 

Obrigada pela excelente e sempre entusiasta participação, Susana! Bem-haja!

 

Boas leituras! 

Boas oportunidades.

Esta é uma excelente altura do ano para comprar livros. Já há algum tempo que há esta tendência das livrarias e das editoras em fazer promoções de livros na época de saldos. Acreditem, não se trata somente daqueles livros que são fracassos editoriais. Pode-se encontrar excelentes títulos a bom preço. E a verdade é que a minha atenção anda sempre desperta para bons preços. Claro que um livro é um bom investimento mas sabemos que neste tempo de crise alguns preços tornam-se, por vezes, proibitivos.

 

Então, vou deixar algumas dicas.

 

Europa-América:

Mansfield Park - Jane Austen - Europa-América

Já que temos estado a falar sobre Fanny Price e "Mansfield Park", devo dizer-vos que se forem ao site da Europa-América, encontram o livro a €14,59.

É um preço excelente porque quando eu comprei o meu exemplar o preço nas livrarias era de €29,90. Na altura, aproveitei uma oportunidade na Feira do Livro para comprar a €22,00. Por isso, se não tiverem o livro trata-se de um oportunidade de o adquirir.

 Mas não é o único livro em promoção no site da Europa-América. Também podemos encontrar:

Sensibilidade e Bom Senso a €8,45 (preço anterior €16,91) 

Persuasão a €9,04 (preço anterior €18,07) 

Abadia de Northanger €10,09 (preço anteior 20,17) 

Emma €20,11 (preço anterior €25,13) 

Amor e Amizade €7,52 (preço anterior €15,04) 

 

 

Bertrand.pt

O que eu mais gosto no site da Bertrand é a facilidade com que podemos encontrar alguns títulos em inglês de obras inspiradas e/ou sobre Jane Austen. Alguns obras estão com um desconto aliciante. Quero destacar esta: Sense and Sensibility | Penguin Books 15,87 (preço anterior € 17, 63) Destaco esta edição de S&S  pela ilustração da capa, da autoria de Audrey Niffenegger. É linda. Sigam o link e vejam. 

 

 

Fnac.pt

No que diz respeito a Jane Austen, a Fnac não possui diversidade de títulos.

A promoção marcante neste site é: Persuasão | Editorial Presença €7,55 (preço anterior €10,08)

 

Wook.pt

A semelhança da Bertrand para além da obra de Jane Austen, a Wook tem uma grande variedade de livros inspirados e/ou sobre Jane Austen.  Alguns livros, tem 10% de desconto mas não encontrei nenhuma promoção significativa. 

 

 

Para quem segue o JAPT e nunca leu Jane Austen esta é uma boa oportunidade de aquisição de livros da nossa escritora amada a um bom preço.  Principalmente na Bertrand e na Fnac, as promoções referem-se ao site. Contudo, se forem às lojas físicas encontram outras promoções. Este fim-de-semana estive em ambas livrarias e encontrei livros a metade do preço.  São boas oportunidades a não perder. 

Carta de Anne Elliot para F.Wentworth

E se em vez de ter ido ao encontro do Cap. Wentworth depois de ter lido a sua carta, Anne optasse por lhe responder também com uma carta?

Eis a resposta que poderíamos ter lido:

 

My dear Frederick:

 

Penso poder tratar-te assim novamente. E como me deixa feliz poder fazê-lo. A tua carta encheu o meu coração de felicidade e devolveu-me o teu amor que eu julgava há muito perdido. Espero que me perdoes. Conseguirás perdoar-me? Ter-te repudiado oito anos e meio atrás foi algo que me assombrou este tempo todo. Houve momentos em que julguei não ser capaz de viver com isso, com o facto de ter recusado a minha alma, o meu coração e a minha vida. Ao recusar-te, recusei também a minha razão de viver e aquilo que me impele a continuar. Mas o meu amor por Kellynch Hall, pela minha família (sim, por eles!), por Lady Russell (falaremos dela mais tarde) e por todos os meus amigos permitiram-me continuar a suportar a dor da tua ausência e da possibilidade pouco remota de não me desprezares.

 

Não me odeies pelos meus erros passados. Entende, por favor, a inocência e a insegurança da jovem que eu era, não obstante o amor que sentia por ti e que era puro e verdadeiro. Guardei-te sempre no meu coração. Sempre. Acompanhei a tua vida à distância e sorri com todas as tuas alegrias e vitórias, assim como chorei todas as tuas tristezas e azares. Guardar-te-ia para sempre no meu coração caso não me tivesses escrito esta tarde. Sou tua, como sempre fui e como sempre serei. Até ao meu último sopro de vida e além disso se for possível. E mesmo que não estejas comigo, eu sempre te pertencerei.

 

Dizes que não me apercebi dos teus sentimentos desde que estás em Bath. Como poderia? Dei-te razões para me desprezares e não consegui ver além disso apesar de continuar a amar-te. Amas-me mesmo? Então sou a mulher mais feliz de toda a terra e de todos os mares que possas conhecer.

 

A minha vida hoje torna-se completa. Tu completas os meus pensamentos e a minha existência e eu desejo somente completar-te da mesma forma. Para sempre.

 

Yours forever

 

Anne Elliot

 

P.S. Aguardo-te logo à noite na festa em casa do meu pai. E espero ansiosamente pelo calor do teu olhar e pelo toque da tua mão. Tal como eramos oito anos e meio atrás. Um só.

 

 

To Miss Anne Elliot... From Captain Frederick Wentworth

Não sei decifrar exactamente quando Frederick Wentworth descobriu que ainda amava Anne Elliot. Penso que o mais certo é que nunca tenha deixado de a amar e evidencie apenas um misto de revolta e ressentimento perante o facto de por ela ter sido recusado e abandonado, tendo sido persuadida pela amiga Lady Russell e ainda pela dedicação e respeito que ela achava dever à sua família.

 

Esta revolta e ressentimento que Wentworth mostra (in)conscientemente perante Anne vai diminuindo gradualmente à medida que ele convive novamente com ela, apesar de pouco falarem mutuamente, e descobre uma Anne também magoada e interiormente revoltada perante as suas decisões passadas. Penso que o facto de ter sabido que Anne recusara a proposta de casamento de Charles Musgrove e se dedicara apenas e unicamente a Kellynch Hall e à sua família, ajuda Wentworth a alimentar novamente o carinho e estima que tivera pela jovem Anne Elliot. Vê-la desenvolta, ver a sua perspicácia e delicadeza perante situações e decisões difíceis, ajudam-no a a compreender que Anne é muito mais do que a jovem mulher que o recusara. Ela é agora, aos vinte e sete anos, uma mulher madura e diferente mas também um ser extremamente generoso, delicado, consciente e justo.

 

A carta que Frederick dirige a Anne em Camden Place é de uma beleza e sensibilidade extremas (You pierce my soul). Sentindo-se encurralado e inseguro (I am half agony, half hope) relativamente aos sentimentos de Anne por ele (isto depois de saber da possibilidade de Anne vir a casar com Mr Elliot e depois de ela ter negado esse compromisso), Frederick decide jogar a sua última e definitiva cartada. E, incentivado pela conversa que vai ouvindo entre Anne e o Capitão Harville (I can listen no longer in silence), discretamente dirige-lhe uma missiva tocante e aberta (I must speak to you by such means as are within my reach).

 

Tell me not that I am not to late, that such precious feelings are gone for ever. I offer myself to you again with a heart even more your own than when you almost broke it, eight years and a half... ago.

 

Enquanto escreve, Frederick vai ouvindo a conversa de Anne com o Capitão Harville. E vai adequando a sua escrita a determinadas citações da sua amada. Quando ela afirma que esquecer facilmente um amor "não está na natureza de qualquer mulher que amasse verdadeiramente" e que as mulheres não esquecem tão rapidamente quanto os homens.  Frederick replica escrevendo "Dare not say that man forgets sooner than woman, that his love has an earlier death. I have loved none but you".

 

Anne diz ainda que a mudança se deve a circunstâncias interiores e que só a natureza do homem o faz esquecer tão facilmente, denotando acreditar na inconstância do sexo oposto. Frederick responde: "Unjust I may have been, weak and resentful I have been, but never inconstant."

 

"You alone have brought me to Bath. For you alone, I think and plan. Have you not seen this?"

 

Continuando a conversa sobre a natureza dos afectos, Anne afirma acreditar que um homem não sobreviveria a todas as dificuldades, privações e perigos a que é exposto se ainda tivesse de lidar com sentimentos femininos "Can you fail to have understood my wishes? I had not waited even these ten days, could I have read your feelings, as I think you must have penetrated mine."

 

É aqui que o Capitão Wentworth deixa cair a pena com que escreve, sobressaltando Anne que o descobre mais perto do que imaginara e a faz desconfiar que o objecto apenas caíra porque ele estivera ocupado a ouvi-los.

 

I can hardly write. I am every instant hearing something which overpowers me. You sink your voice, but I can distinguish the tones of that voice when they would be lost on others. Too good, too excellent creature!"

 

Anne termina a discussão fazendo, apesar de tudo, alguma justiça aos homens. Afirma que o verdadeiro afecto e constância também podem ser sentidos pelos homens, seres que considera capazes de todas as coisas magnifícas e boas nas suas vidas de casados. "You do us justice, indeed. You do believe that there is true attachment and constancy among men. Believe it to be most fervent, most undeviating, in F. W.

  

Contudo, isto acontece apenas quando o homem tem uma finalidade que é a de saber que a mulher que amam vive apenas para ele. As mulheres, por seu lado, apresentam nesse aspecto uma ligeira diferença: amam mais longamente, quando a existência ou a esperança partiu.

"I must go, uncertain of my fate; but I shall return hither, or follow your party, as soon as possible. A word, a look, will be enough to decide whether I enter your father's house this evening or never."