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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

As Figuras Maternas em Sensibilidade e Bom Senso - Mrs Dashwood

Mrs Dashwood é uma figura muito materna, no sentido em que apoia as suas filhas e quer vê-las, acima de tudo, felizes, não obstante na época as mulheres dependerem essencialmente de um casamento financeiramente estável quando afastadas da linha de sucessão, como era o caso. Trata-se de uma figura excessivamente romântica. Para ela, a felicidade é um estado e quando encontrava razões para ser feliz, obstáculo algum parecia fazer sentido; já quando a tristeza dominava o seu ser, a angústia tomava conta de tudo. O exagero romântico é, por assim dizer, o seu selo que encontra eco em Marianne.

 

Por isso, a falha de Mrs Dashwood está exactamente no facto de ser pouco racional e de não conseguir esconder os seus sentimentos o suficiente para não causar preocupações às suas filhas, sendo que, no caso de Marianne, a compreensão é desmedida; mas, no caso de Elinor, é a preocupação que constitui e marca o seu dia-a-dia. Assim, se por um lado, Mrs Dashwood, é uma boa mãe; por outro, é negligente, porquanto deixa para a sua filha de dezanove anos a responsabilidade de uma casa de um orçamento que lhe caberia a si gerir. É certo que acaba de perder o seu marido e a sua casa, mas as suas filhas acabam de perder o pai e também o seu lar. A única referência que lhes resta é a mãe que, para mim, e em concreto neste ponto, não esteve inteiramente à altura das exigências da situação.

 

No entanto, e corroborando o que no início ficou dito, Mrs Dashwood é uma mãe preocupada com o bem-estar e a felicidade das suas filhas, demonstrando-o através da preocupação em saber quem era Mr. Willoughby ou quando Marianne adoece. Com tal, pode dizer-se que o "pecado" do romantismo que domina a sua personalidade é aceitável.

Figuras maternas em Sensibilidade e Bom Senso - Mrs Jennings

Mrs Jennings é uma personagem controversa porquanto é capaz de produzir no leitor sentimentos opostos: tanto gostamos das suas iniciativas e bondade com as meninas Dashwwod, como dificilmente lhe perdoamos as confusões que arranja pela sua falta de cuidado com o que ouve e o que diz.

 

No entanto, ninguém poderá colocar em questão os seus bons esforços no sentido de ser boa mãe, sendo que, naquele tempo, isso passaria, entre outras coisas, por arranjar um bom casamento para as filhas. Tendo isto em conta, sabemos que não se saiu mal, mesmo no caso de Mrs Palmer em que boa parte da falta de virtude naquele casamento se deve a ambos. No que respeita ao amparo das filhas quando estas dão à luz, nota-se, por parte de Mrs Jennings, que a sua presença e apoio são os de uma verdadeira mãe que pretende estar ao lado das filhas nesses momentos. 

 

Mrs Jennings é uma mulher bondosa que acolhe as meninas Dashwood como suas filhas, fazendo por elas tanto quanto faria pelas suas filhas. A sua preocupação genuína pelo bem estar das irmãs Dashwood suplanta a sua, por vezes grande, inconveniência. A sua falta de perspicácia é, assim, desculpada pela sua vontade de alegrar e fazer bem às duas irmãs. Isso é notório ao longo do romance, desde o convite que faz a Elinor para a acompanhar a Londres, incluindo Marianne para que a primeira não se sinta só; desde todas as atenções e cuidados que dispensa a Marianne em Londres e aquando a sua doença. É incansável em tudo o que está ao seu alcance cognitivo e material.

 

As Miss Dashwood não tinham razões para estarem descontentes com o tipo de vida e conhecimentos de Mrs Jennings, nem com o seu comportamento para com elas, que era sempre simpático. Todos os seus convidados eram escolhidos segundo um plano mais liberal  possível, e com excepção de alguns velhos amigos da cidade, que para desgosto de Lady Middleton ela jamais abandonaria, nunca visitava ninguém cuja apresentação pudesse de algum modo perturbar os sentimentos das suas jovens companheiras.

(...)

 

Elinor fez justiça à bondade de Mrs Jennings, apesar de as suas efusões serem frequentemente perturbadoras e às vezes muito ridículas; reconheceu-lhe e agradeceu-lhe todas as suas amabilidades, que a sua irmã não poderia reconhecer pessoalmente. A sua boa amiga viu que Marianne estava infeliz e sentiu que tudo o que a pudesse pôr melhor deveria  ser feito. Portanto, tratou-a com toda a indulgência de uma mãe para com o seu filho preferido no último dia de férias. (...) Se soubesse de alguma coisa que ela gostasse, procurá-la-ia por toda a cidade.

 

Em suma, Mrs Jennings é uma verdadeira figura materna para as duas irmãs na ausência da sua verdadeira mãe.

 

Coronel Brandon em Sensibilidade e Bom Senso

O coronel Brandon é a minha personagem favorita em Sensibilidade e Bom Senso. Sinto uma natural simpatia por este homem sensível, genuíno, tímido e doce. A sua personagem cativou-me desde a primeira leitura. Não consigo gostar menos dele apesar de ser apresentado como velho solteirão por ter passado dos trinta e cinco anos ou por ser calado e sério. Para mim, ele é o oposto de Willoughby no que respeita às mulheres. Mas não só. A sua sensibilidade e as suas qualidades humanas transparecem em várias ocasiões e a sua generosidade é dirigida para aqueles que mais necessitam dela, como é o caso de Mr. Ferrars depois de ser deserdado pela sua mãe. Atrevo-me a dizer que ele é o verdadeiro herói desta trama romântica. Edward Ferrars é um ser apagado quando comparado com a verticalidade e maturidade do coronel. Quanto a Willoughby, muito haveria que limar o seu carácter para ser comparado com o coronel Brandon.

 

De todos os novos conhecimentos, apenas o Coronel Brandon, segundo Elinor, era uma pessoa que sob algum aspecto poderia merecer respeito pela sua inteligência, criar o interesse da amizade ou dar prazer como companheiro. Willoughby estava fora de questão.

 

(...) Contudo, a frase que enunciara foi prosseguida imediatamente pelo coronel Brandon, sempre atento aos sentimentos dos outros, e todos falaram muito sobre a chuva (...).

 

O coronel Brandon é um personagem que mesmo ausente, deixa no ar a sua presença porque quando regressa parece estar a par de tudo ou chega sempre no momento mais indicado, ainda que assim não o pareça a outros. É um verdadeiro amigo do seu amigo e ama incondicionalmente Marianne. É um gentleman apaixonado. Pelo que fica dito, é fácil apreciar este personagem.

 

Este é um tema que sai fora de todos os que estão a ser tratados agora no blogue, mas tendo lido recentemente a obra, mais uma vez, não pude deixar passar mais tempo sem falar nele, sob pena de o menosprezar, ainda que sem intenção.

 

 

Shortstory - parte 9

O resto do serão foi passado de forma agradável para quase todos. Emma, não cabia em si de contente com a visita dos seus novos amigos e com a feliz ocasião de esta coincidir com o regresso de Mr. Knightley. Anne, por seu lado, lutava contra o receio e a angústia que tal convívio, em parte, lhe iria trazer. O seu pai, tal como previra, ficara radiante com o convite de Miss Woodhouse. Só lamentou que tal atenção não tivesse sido antes dada à sua outra filha que tinha melhor figura que Anne. A beleza desta, segundo ele, não combinava com o requinte de Miss Woodhouse. Lizzie, estava mais tranquila depois de Mr. Darcy ter aceite de imediato o convite que Emma tão entusiasticamente lhe dirigira. Tal como a sua mulher, achava que uma nova companhia e mais uns dias fora de Pemberley a iria beneficiar. No fim, trocaram-se cartões de visita e confirmou-se o dia da chegada a Hartfield, embora Emma só partisse na semana seguinte.

 

O dia amanheceu soalheiro, mas Lizzie não se sentia bem e atribuiu a sua indisposição aos excessos da noite anterior. Olhou pela janela e decidiu que um passeio a recomporia. Darcy, vendo-a assim, dispôs-se imediatamente a acompanhá-la, pois não gostava de a deixar sozinha. Estavam a passar na artéria principal de Bath, quando encontraram Anne. Convidaram-na de imediato para os acompanhar, o que ela prontamente aceitou. A conversa do pequeno grupo desenrolou-se de forma agradável. De facto, Darcy achava que Miss Anne era um boa companhia para a sua mulher. A sensatez e a calma de Anne inspiravam grande confiança. De tal forma assim era que este a convidou para os acompanhar na viagem até Hartfield. Anne, aceitou e logo de imediato o desconforto e a tristeza tomaram conta de si. Todavia, fez um esforço para que os seus novos amigos nada notassem.

 

Chegou o dia da partida para Hartfield e, tal como haviam combinado, Anne companhou Mr. e Mrs Darcy. Não podiam ter melhor companhia. Lizzie sentia-se muito bem junto de Anne e isso confortava Darcy. Por seu lado, Anne apreciava muito o espírito de Lizzie, que embora estivesse agora parcialmente quebrado, algo que Anne desconhecia, mantinha ainda alguma vivacidade de outrora.

 

Emma, recebeu os seus amigos com grande alegria. Apresentou-os imediatamente a Mr. Knightley que regressara com dois dias de antecedência para sua grande surpresa. Depois de instalados os convidados, juntaram-se todos no jardim enquanto aguardavam que o jantar fosse servido. Anne, ficou surpresa ao notar que o capitão Wentworth já estava em Hartfield. Tentou agir de forma tranquila quando o encontrou na sala que antecedia o jardim, evitando, com algum esforço, deixar transparecer o seu nervosismo.

 

- Miss Elliot - cumprimentou o capitão Wentworth de forma demasiado formal - espero que a sua viagem tenho corrido bem - acrescentou com alguma frieza.

Anne respondeu ao cumprimento e acrescentou:

- Sim, muito obrigada.

Viu-se, contudo, na obrigação de acrescentar algo mais, uma vez que Wentworth continuava a fitá-la.

- Mr. e Mrs Darcy são uma excelente companhia. - disse - Tive muito gosto em acompanhá-los. E como correu a sua viagem?

- Correu muito bem, obrigada. Vim de Londres, pois recebi uma carta inesperada que me obrigou a deixar Bath de imediato e ir para a capital. Tal como Miss Elliot, fui afortunado com a excelente companhia do meu bom amigo, Mr. Knightley.

Anne, ficou surpresa com os detalhes que ele agora lhe apresentava. Tinha saudades das conversas tão ricas e agradáveis que costumavam ter antes da sua separação. Continuaram a conversar mais um pouco, até que foram interrompidos por Emma que anunciava que o jantar ia ser servido.

 

 

No dia seguinte, os cavalheiros acompanharam Mr. Knightley até à sua propriedade, enquanto as senhoras se dirigiram à residência de Mrs Weston. Emma estava ansiosa por apresentar os seus novos amigos à sua boa amiga. Mrs Weston recebeu esta comitiva com o entusiasmo sóbrio que a caracterizava. Ficou feliz por Emma ter encontrado tão boa companhia em Bath. Vira que as suas cores tinham melhorado e soubera que Mr. Woodhouse também tinha beneficiado com os ares da estância, pois segundo lhe contara a sua amiga por carta, já não se queixava tanto das correntes de ar e sentia-se mais disposto a dar um passeio depois do almoço. Eram boas notícias, de facto.

 

Mrs Weston notou de imediato a tristeza no olhar de Lizzie quando a pequena Susan, que contava agora com 8 meses, foi trazida à sala para ser apresentada. Lizzie, vendo-a, pediu imediatamente para lhe pegar ao colo, o que Mrs Weston carinhosamente condescendeu. As duas iniciaram então uma conversa sobre a criança e sobre as virtudes de ser mãe. Neste momento, tanto Emma como Anne sentiram que deviam deixar as duas senhoras a conversar e a primeira desculpou-se dizendo que iria mostrar a maravilhosa estufa de Mr. Weston a Anne. Ansiava, no fundo, ficar a sós com ela para lhe falar do capitão Wentworth e perceber a sua reacção. No interior da casa, a conversa decorria de forma fluida entre as duas senhoras. Lizzie, contra todas as suas expectativas, conversava abertamente com Mrs Weston sobre a alegria de ser mãe. Sentia, sem conseguir perceber como ou porquê, que podia confiar em Mrs Weston e mencionou a tragédia com o seu pequeno Edward, fazendo um esforço para controlar as lágrimas. Esta ouvia-a com atenção, compreensão e carinho. Deu-lhe conselhos para ela poder ultrapassar este momento difícil e fê-la ver que a culpa não tinha sido sua; que o que lhe acontecera, era passível de acontecer a qualquer mãe. Por muito cuidado que se tivesse, uma criança travessa arranja sempre forma de fugir ou iludir os adultos e que para  uma desgraça acontecer, eram precisos apenas alguns instantes. Por fim, disse-lhe que ela estava tão mergulhada na sua dor que não vira que tinha sido novamente abençoada.

- Minha querida, certamente que notou alguma coisa. Uma mulher sabe quando traz vida dentro de si. Minha querida  Mrs Darcy - acrescentou carinhosamente Mrs Weston pegando-lhe nas mãos - não notou mesmo nada? O seu rosto diz tudo.

- Mas... quer dizer... não... - balbuciou Lizzie de forma atrapalhada e confusa.

De facto, não associara as indisposições a nada mais do que ao cansaço das sucessivas viagens que fizera nos últimos dois meses e ao desgosto que carregava.

 

Enquanto isso, na estufa, Emma iniciava a sua abordagem aos atributos do capitão Wentworth, mencionando que Mr. Knightley o tinha em grande conta e estima, pois era um verdadeiro cavalheiro. Anne ficou ainda a saber que, para além de Mr. Knightley, Wentworth conhecia também Mr. Simmons, um vizinho solteirão e sem família que tinha falecido havia seis meses e que tinha uma grande propriedade nos arredores de Highbury.

- Miss Elliot, tenho a certeza de que o capitão Wentworth aprecia muito a sua companhia. Ouvi-o mencionar isso a Mr. Knightley, ontem, ao serão. Tenho a certeza de que vai gostar de passar estes dias em nossa companhia. Fico muito feliz por tê-la em Hartfield. Aaah!... - suspirou de Emma de alegria - está um tempo maravilhoso... creio que amanhã será um dia excelente para fazermos um piquenique. O que acha?

- Sim, parece-me uma excelente ideia, Miss Woodhouse. - concordou Anne.

- Óptimo! Informarei os cavalheiros assim que regressem do seu passeio. - disse Emma - O capitão Wentworth gosta muito de passear e de fazer piqueniques. Creio que é o seu espírito de marinheiro que o puxa para o exterior. É uma excelente companhia, o capitão.

Anne concordou, mas nada mais adiantou, deixando a sua anfitriã ainda mais decidida em fazer este casamento. Tinha a certeza de que eram feitos um para o outro. O único obstáculo chamava-se Mr. Elliot. Mas a sua determinação não se deixou abalar.

 

A visita terminou e as senhoras regressaram a Hartfield, onde encontraram os cavalheiros a conversar animadamente no jardim. Wentworth, olhou para Anne e verificou que esta lhe devolveu o olhar.

Shortstory - parte 8

Lizzie ficou encantada com a personalidade alegre de Miss Woodhouse mas Anne mantinha alguma reserva, atendendo ao facto de esta ser a companhia do capitão Wentworth. Contudo, este sentimento cairia em breve, fruto da franca atenção que Miss Woodhouse lhe prestava e que ela verificou ser sincera. Miss Woodhouse, apercebeu-se da inquietação do capitão Wentworth quando foram apresentados à entrada e estava curiosa para descobrir a fonte de tal desconforto. Depois de falar um pouco mais com Anne, antes de o jantar ser servido, Emma achou que ela seria o par perfeito para o seu amigo que há muito desejava ver feliz. Tinha uma ideia brilhante. E foi imbuída de um espírito de missão que se deixou conduzir pelo capitão Wentworth até à sala de jantar.

 

A mesa estava muito elegante. Lizzie dera instruções aos criados para que se empenhassem na confecção do jantar. Não gostava de cair em exageros, mas não aceitava nada menos do que elegância e requinte quando recebia os convidados de Mr. Darcy. Tal cuidado agradava a Darcy que não se cansava de a elogiar pelo bom gosto e empenho que colocava em tudo o que fazia. Miss Georgiana ajudava um pouco nesta matéria porque para além de gostar de fazer os arranjos de flores, tinha um gosto requintado para construir ementas. Todos os convivas elogiaram a comida e o ambiente sóbrio e elegante.

 

Depois do repasto, os convidados foram novamente conduzidos à sala adjacente onde foram servidos licores. Os homens aproveitaram para se juntar e conversar sobre política e negócios, enquanto as senhoras se agruparam em pequenos conjuntos para jogarem ou conversarem. Emma cuidou de ficar junto de Anne e de Lizzie pois queria convidá-las para passarem quinze dias em Hartfield. Na sua opinião, tal convívio faria bem a todos. A sua estadia em Bath estaria muito em breve terminada e a perspectiva de encontrar Hartfield sem a companhia do seu grande amigo Mr. Knightley não lhe agradava. Sentia a sua falta todos os dias desde que ele partira para Londres, há três semanas, para tratar de negócios. Ficaria ainda mais quinze dias, segundo informou na última carta que lhe enviara. Para além disso, desde que Mrs Weston dera à luz a pequena Susan que o tempo para lhe dar atenção era pouco e ela não queria, neste caso, roubar a atenção a tão adorável criatura. De facto, esta viagem a Bath revelara-se mais frutífera do que pensara inicialmente. Fora com alguma relutância que decidira fazer aquela viagem porque não apreciava o ambiente das cidades e era-lhe penoso abandonar Hartfield. Contudo, o seu amor e devoção pelo pai levaram-na a fazer tal sacrifício.  Agora reconhecia que afinal aquela deslocação beneficiara a ambos.

 

Estavam, pois, as três a conversar animadamente quando Emma as convidou para visitarem Hartfield dali a quinze dias. Ainda faltava um mês para o Verão terminar e o bom tempo duraria mais uns dias, o que lhes dava oportunidade para fazerem grandes passeios e piqueniques. Lizzie informou que teria de consultar Mr. Darcy, dando, no entanto, a entender que nada haveria que os impedisse de aceitar tão amável convite. Em boa verdade, achava que mais uns dias fora de Pemberley lhe iriam fazer bem e Bath já nada tinha para lhe oferecer devido à ausência de Jane.

 

- Mrs Darcy!... - declarou alegremente Emma, enquanto pegava nas mãos de Lizzie e as apertava carinhosamente - nem imagina o quanto me deixa feliz! Tenho a certeza de que vai adorar. Irei apresentar-lhe Mrs Weston que é a minha grande amiga e que foi minha preceptora. Terá também oportunidade de conhecer Mr. Knightley, também um bom e querido amigo. Tenho a certeza de que ele gostará de vos conhecer. Convidei igualmente o capitão Wentworth, pois é muito amigo de Mr. Knigtley - acrescentou enquanto desviava o olhar para tentar perceber a reacção de Anne que tentou manter a calma quando a ouviu mencionar o nome do capitão.

 

- Tenho a certeza de que simpatizarei com todos - disse Lizzie - e também fico muito feliz com o seu convite.

 

Anne, pensava numa desculpa para fugir a este convite. Se por um lado gostava de poder desfrutar da companhia de Mrs Darcy e de Miss Woodhouse, com quem afinal criara alguma empatia que gostaria de aprofundar, porquanto conseguia manter uma conversa interessante e aceitável com ambas, por outro lado, causava-lhe muito sofrimento pensar que iria estar no mesmo espaço que o capitão Wentworth depois de tudo o que se passara.

 

- Miss Woodhouse - começou Anne - lamento, mas não posso aceitar o seu amável convite... tenho que...

- Minha querida - interrompeu Emma ansiosa - não posso aceitar uma negação. Falarei com a sua família e irei persuadi-los a permitirem que me visite. Há pouco, ouvi Mr. Elliot dizer que irá estar ausente por três semanas, por isso, não vejo motivo para não nos acompanhar. Tenho a certeza de que lhe fará bem passar uns tempos em Hartfield e em companhia muito agradável. Peço-lhe que aceite. Mrs Darcy também fará muito gosto, tenho a certeza, na sua companhia.

- Claro que sim - disse Lizzie, tentando ajudar Emma a convencer Anne a juntar-se ao grupo.

 

Dito isto, Anne ficou sem saber o que dizer pois não queria ser mal interpretada, nem queria dar a entender o desconforto que sentia perante o capitão Wentworth. Sabia que se Emma abordasse o seu pai, este nada teria a objectar. Pelo contrário, incentivá-la-ia a aceitar o convite já que ficara rendido à beleza e à fortuna de Miss Woodhouse.

 

Datas das Sessões do Clube de Leitura em Coimbra

Fonte: Bertrand Livreiros

 

No seguimento do post anterior, informamos que as datas e os dados para o Clube de Leitura em Coimbra são os seguintes:

 

COIMBRA

 

Livraria: Bertrand do Dolce Vita Coimbra


Orientado por: Fátima Velez de Castro

 

Livro para discussão: "Sensibilidade e Bom Senso"

 

 

11 de março

 

22 de abril

 

13 de maio

 

17 de junho

 

15 de julho

 

9 de setembro

 

 

A primeira sessão do Clube já teve lugar em Lisboa e correu muito bem. Agradecemos às pessoas que se dispuseram a passar um pouco mais de uma hora com Jane Austen e com uma parte da equipa que faz este blogue e que participaram de forma tão entusiástica, enriquecendo com os seus conhecimentos e opiniões a dicussão em torno de "Sensibilidade e Bom Senso".

 

 

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Jane Austen na Literatura Inglesa # 1

 

O livro História da Literatura Inglesa, da autoria de Andrew Sanders, faz oenquadramento da obra de Jane Austen na história da literatura inglesa, como o próprio nome indica. Esta aparece referenciada no período literário relativo ao Romantismo (1780-1830). Trata-se de uma época claramente moldada pelo impacte da convulsão revolucionária em França, mas se era difícil manter a neutralidade na altura, o não querer tomar partido, ou o silêncio, ou a demissão, não devem ser entendidos como incapacidade de interpretação do que nós julgamos mais ou menos serem os sinais dos tempos, ou como falta de resposta apropriada a um alinhamento político ou cultural predeterminado. Aquela era uma época de Romantismo, mas a definição complexa de Romantismo, ou de Romantismos, podia ser ignorada, contestada, subsumida, debatida ou simplesmente questionada de diversas formas por escritores que não remavam necessariamente contra a maré dos tempos. Uma variedade de modos de escrever, pensar, criticar e definir a literatura coexiste em qualquer época, mas neste período específico a variedade é especialmente diversa e as distinções particularmente vincadas. Tais distinções não eram, como seria de esperar, as que foram inevitavelmente traçadas por contemporâneos. No entanto, podemos dizer que a literatura Romântica se caracteriza por dar importância à imaginação sobre o espírito critico, à natureza do sentimento religioso, aos efeitos da expansão da alma provocados pelas viagens e à originalidade subejtiva sobre as regras estabelecidas pelo Classicismo. 

 

Jane Austen irá passar um pouco ao lado das influências e das convulsões trazidas pela Revolução Francesa e pela guerra. Contudo, este período está repleto de autores que, de uma forma ou de outra, influenciaram a escrita de Jane Austen. A Abadia de Northanger, por exemplo, tece criticas e de certa forma ridiculariza a literatura fantástica de Ann Radcliffe.

 

Ao longo das páginas dedicadas ao Romanstismo, Sanders faz comparações entre alguns escritores e Jane Austen, tecendo sempre elogios à escrita e à inteligência de Miss Austen. Assim, ficamos a saber que, tal como Jane Austen, Elizabeth Inchbald (1753-1821) no seu romance A Simple Story, chama a atenção para a necessidade da educação das mulheres como forma de resposta à ausência de realização pessoal, ao contrário de alguma corrente que se fazia ouvir em Inglaterra e que apelava à liberdade viril, ética e regulada (Burke). Esta autora, também teve algum destaque na obra de Jane Austen, nomeadamente em Mansfield Park. É de sua autoria a obra Lovers' Vows (1798), a peça ensaiada naquela história, que é criticada por Austen através dos olhos da nossa Fanny Price. Sanders refere-se à obra de Inchbald como sendo uma ficção modesta, reconhecendo-lhe falta de rigor, e caracterizando-a mesmo como descuidada, lacónica, prosaica e uma tragédia sem verdadeira substância,  não obstante as suas evidentes preocupações com as inconsistências e falhas da sociedade contemporânea.

 

Datas das Sessões do Clube de Leitura Jane Austen

Fonte: Bertrand Livreiros

 

O nosso Clube de Leitura conta já com a participação de 20 pessoas em Lisboa e no Porto, o que é excelente. Falta a adesão dos nossos estudantes de Coimbra. Porque não complementam o estudo com uma leitura mais descontraída e não viajam connosco até à Inglaterra rural do século XVIII. As inscrições ainda estão abertas em todas as cidades.

 

As datas estão fixadas, com exceção de Coimbra, e a primeira obra a ser discutida será "Sensibilidade e Bom Senso". Como falta apenas uma semana para o início do Clube em Lisboa, sugiro que apressem a leitura e façam as  vossas notas. Recordo que a obra seguinte será indicada no final de cada sessão. 

 

Para além da discussão em torno da vida de Jane Austen e da sua obra, haverá uma surpresa adicional, feita a pensar naqueles que tiram a sua tarde domingo para partilharem uns momentos agradáveis e descontraídos à volta dos livros.

 

Deixo então o mapa das sessões, que decorrerão sempre aos domingos, às 15h30, a realizar até ao mês de setembro, com exeção do mês de agosto:

 

LISBOA

4 de março

1 de abril

6 de maio

3 de junho

8 de julho

2 de setembro

 

COIMBRA

11 de março

22 de abril

13 de maio

17 de junho

15 de julho

9 de setembro

 

As datas relativas às sessões de Coimbra serão confirmadas quando tivermos mais inscrições. Para já, a ideia é adiar por algum tempo, mas nunca mais do que um mês.

 

PORTO

17 de março

28 de abril

20 de maio

1 de julho

28 de julho

16 de setembro

 

 

Boas leituras!

 

 

 

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Fonte: Bertrand Livreiros