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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Jane, quem?

Título Original: Jane, Who?

Retirado da Revista Costume Chronicles (Nov-Dez 2010)

Autor do Artigo: Marion K.

Traduzido e Adaptado por Clara Ferreira

 

 

DOWNLOAD DA REVISTA

 

(...) Para pessoas ignorantes o nome Jane Austen pode significar dois tipos de perguntas: “Jane, quem?” ou “Oh! Estás a falar daquela solteirona que não conseguiu encontrar um homem para casar e por isso escreveu aqueles livros de cordel?”. Sim, também não consigo conter a minha raiva quando oiço tamanhas frases ridículas a propósito da minha escritora preferida. Uma solteirona? Livros de cordel? Enfim! (…)

 

Jane Austen nunca casou, mas as Janeites sabem bem – ela era muito mais do que uma solteirona desesperada. Uma curta narrativa precisa sobre que tipo de sentimentos Jane Austen provocava aqueles que lhe eram mais íntimos (família, amigos) pode ser encontrada na biografia de Henry Austen, escrita pouco depois da sua morte como complemento à publicação de Abadia de Northanger e Persuasão. Podemos dizer que qualquer parente próximo certamente exageraria as suas virtudes e eliminaria as suas falhas, mas este não é o caso, tenho a certeza. Jane Austen era uma pessoa adorável e qualquer um pode discernir isso através da forma sensível e perceptível com que ela criava as suas tão amadas personagens. (…)

 

Jane Austen nasceu a 16 de Dezembro de 1775 em Steventon perto de Basingstoke. Era a sétima criança da família e a segunda filha do casal Reverendo George Austen e Cassandra Leigh. Teve cinco irmãos e uma irmã, Cassandra, a sua melhor amiga. Sobre a sua educação sabemos que sabia cantar, tocar piano e falar Francês e Italiano. Desde tenra idade que Jane mostrou o seu afecto por livros, um gosto que o seu pai apoiou fortemente. Aos treze começou a escrever pequenas histórias de humor, incluindo paródias a romances populares. Por volta dos vinte e cinco já tinha criado rascunhos daquilo que viria a ser Sensibilidade e Bom Senso (com o título Elinor and Marianne), Orgulho e Preconceito (primeiramente chamado de First Impressions) e Abadia de Northanger (com o título Susan).  Em 1801 a sua família mudou-se para Bath, onde ficaram até à morte do pai, em 1805. Este foi um período pouco dado à escrita para Jane Austen uma vez que ela detestava Bath. Em 1809, Mrs. Austen e as suas duas filhas voltaram para Hampshire e tomaram residência em Chawton. Jane voltou a escrever e deu forma final aos seus primeiros romances. Escreveu também os seus últimos três romances, O Parque de Mansfield (1814), Emma (1816) e Persuasão, que foi publicado postumamente em 1818 juntamente com Abadia de Northanger. Durante a sua vida, ela publicou os livros anonimamente, usando apenas a frase – Por uma Mulher. O seu nome só veio a ser, mais tarde, publicado em edições.

 

Jane Austen nunca casou. A sua vida, contudo, não foi desprovida de amor. Muitas das suas cartas foram queimadas depois da sua morte por Cassandra, mas daquelas que ficaram, somos informados de que em 1796 ela teve um breve romance com Tom Lefroy, um advogado irlandês. Ela sabia, todavia, que seria de curta duração, uma vez que a família dele esperava que ele casasse com alguém com dinheiro. Cassandra mencionou uma vez um jovem padre por quem Jane se apaixonou, mas que infelizmente morreu. Cassandra descreve-o como uma das pessoas mais encantadoras que ela alguma vez conheceu. Aos 27 anos, Jane aceitou uma proposta de casamento de Harris Biggwithers (de 21 anos), um herdeiro rico, cuja família era íntima dos Austen, mas mudou de ideias no dia seguinte.

 

Ela gostava muito do sossego, da família e da vida do campo. Ela pertenceu a uma grande família e viveu sempre rodeada de irmãos, sobrinhas e sobrinhos. Cassandra também nunca casou. A mãe de ambas dizia que “aquelas duas estão casadas uma com a outra”.

Em 1816 diagnosticaram a Jane a doença de Addison, mas este facto não a impediu de continuar a escrever. Ela terminou Persuasão e enquanto pode segurar um lápis escreveu outro romance, inacabado, chamado inicialmente – Os Irmãos, e mais tarde, Sanditon. Ela morreu nos braços de Cassandra a 18 de Julho de 1817 em Winchester, para onde foi levada em Maio do mesmo ano para estar mais próxima do médico. Ela está enterrada na ala norte da nave da Catedral de Winchester. O seu epitáfio escrito pelo seu irmão James, elogia as suas qualidades pessoais, expressa esperança na sua salvação e menciona a dádiva extraordinária da sua mente, mas não refere claramente os seus feitos como escritora.

 

Jane Austen escreveu sobre aquilo que conhecia melhor, o quotidiano da classe média. Os seus trabalhos são uma representação irónica e perspicaz da sua Era, caracterizados por realismo, uma assaz crítica social e um uso extraordinário da língua inglesa. Ela é hoje em dia considerada uma das escritoras inglesas mais lidas e com mais sucesso.

 

 

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