Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Uma leve impressão sobre "Persuasão"

  

 

Persusão é o último dos romances escritos por Jane Austen. Foi terminado pouco tempo antes da sua morte, não tendo a autora a oportunidade de o rever. Coincidência ou não com o período que atravessava na sua vida, Jane Austen confere à heroína desta estória uma personalidade mais madura, mais consciente da vida e das pessoas e bem assim das suas qualidades e fragilidades. Este é, para mim, o romance que melhor define a escrita desta autora que tanto admiro. Trata-se de um texto, em comparação com os anteriores, escrito de uma forma mais madura, com mais confiança, mais serenidade e certeza quanto ao desenrolar da estória e quanto à modelação das personagens. A escrita prende-nos logo no início pela forma como discorre sobre a personagem de Sir Walter Elliot.

 

Embora a frase mais famosa de Jane Austen faça parte de “Orgulho e Preconceito” – curiosamente a sua obra mais famosa também -,  a verdade é que “Persuasão” está repleto de frases bem escritas, bem estruturadas e cheias de significado quanto ao seu objecto. Mais uma vez, Jane Austen caracteriza de forma sublime, inteligente e subtil as fraquezas da sociedade de então.

 

A heroína desta estória é Anne Elliot, uma jovem que vive com o seu pai, Sir Walter Elliot, na propriedade de Kellynch-hall, no Somerstshire. O cavalheiro tinha como (grande) distracção o Baronetage, um livro que mais não era do que o registo da sua árvore genealógica. Apenas via virtude na beleza e noutras futilidades de então. Como bem escreve a nossa autora “a vaidade era o princípio e o fim da personalidade de Sir Walter Elliot; vaidade pessoal e de situação".

 

Anne era, para seu pai, uma jovem que não merecia grande consideração porquanto a sua beleza não era de grande evidência. Segundo ele, Anne há muito que perdera a vivacidade da juventude. Já Elizabeth, a filha mais velha, era a sua favorita porque tinha herdado tudo de sua mãe, incluindo a beleza, pelo que era a quem Sir Walter Elliot dedicava toda a sua atenção e respeito. Quanto a Mary, um casamento menos relevante quanto a fortuna e situação tinha-a colocado num lugar de menor importância para seu pai.

 

Jane Austen descreve, através de Lady Russell (uma amiga íntima da família pela parte da Mrs Elliot), a encantadora Anne Elliot da seguinte forma: “(…) Anne, possuidora de uma elegância de espírito e de uma doçura de carácter que deveriam tê-la colocado num elevado lugar na consideração de qualquer pessoa dotada de verdadeira compreensão, não era ninguém, nem para o pai nem para a irmã: a sua voz não tinha qualquer peso; a sua conveniência residia em transigir, ceder sempre – era apenas Anne. É verdade que, para Lady Russell, ela era realmente uma muito querida e altamente apreciada afilhada, a sua preferida e amiga. Lady Russell amava-as a todas, mas só em Anne conseguia imaginar que a mãe poderia voltar a viver."

 

Anne viveu um grande amor oito anos antes da localização temporal da estória, a que pôs fim por respeito à família. O capitão Wentworth era (e é) o eleito do seu afecto. Ao longo da estória Anne irá deparar-se com o seu desprezo e até com o seu desdém. Será perante estas situações, e outras que surgirão, que Anne mostrará a grandeza e a elegância do seu carácter.

 

Um outro aspecto que gostei em “Persuasão” foi, como diz uma das personagens do filme “O clube de leitura de Jane Austen”, a força e o impacto que Jane Austen imprime a uma carta bem escrita.

 

Estas são algumas das características que admiro na escrita de Jane Austen.

 

 

 

 

 

10 comentários

Comentar post