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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Anna Karenina (Livro e Filme)

 

"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes são-no cada uma à sua maneira"

 

Um grande, imenso clássico. Quando decidi começar a lê-lo achei que tomava em mãos apenas uma grande obra, mas não, naquele dia, tomei em mãos uma das poucas obras-primas da literatura mundial. Está longe de seguir o estilo de Jane Austen, aliás, nada a ver. No entanto, penso que merece destaque aqui no blogue.

 

O livro é intenso, envolvente e ultrapassa a história de amor de Ana e Vronsky. É certo que, nos últimos dez capítulos, a minha paciência já não era muita, mas isso, porque cometi o erro de ver o filme durante a leitura do livro e já conhecia o final.

 

A história passas-se na Rússia do século XIX e mostra-nos não só a sociedade aristocrática, mas também a rural, quando lemos as passagens relativas a Kostya um proprietário rural, um filósofo, um homem sério e íntegro que acaba por se casar com Kitty depois desta o ter rejeitado.

 

 

A história principal é a que envolve Ana Karenina num caso extra-conjugal com o Conde Vronsky. A ideia que tinha era de que a ia culpar, de que ia ver nela defeitos e fraquezas, que ela iria ser destituida de carácter, mas não,  mesmo nos próprios erros que comete, nunca a consegui julgar porque, a história envolve-nos de tal forma, que Ana parece sempre inocente e vítima aos nossos olhos, inocente e vítima de um amor que não pode controlar tal é a sua genuidade e afeição... e é verdadeiramente uma vítima da sua situação.

 

Mas essa não é a única história, em paralelo, a paixão de Kitty por Vronsky, a sua decepção, o seu crescimento e amadurecimento, o seu casamento com Kostya, são também deveras interessantes. Assim como a história análoga de Oblonsky (irmão de Ana) e da sua mulher que em tudo se parece com o que sucedeu com Ana (pelo menos, ambos tiveram amantes durante o casamento), mas em que os géneros estão alterados e para Oblonsky não existe qualquer consequência nem a nível familiar nem a nível da sociedade, graças à ajuda de Ana que convenceu a cunhada a não terminar o casamento (o que não deixa de ser irónico).

 

Existem muitos temas discutidos no livro, para além do adultério, discute-se muito temas políticos, temos uma imagem do que viria a ser a Rússia mais tarde no poder comunista; e também temas morais, a distinção entre o Bem e o Mal, o justo e injusto, é latente em toda a obra.

 

O final é diferente do que seria de esperar, eu fiquei surpreendida e como li no blogue "N Livros": "precisamente nesse final que está a resposta a todas as questões que vão sendo colocadas: Devemos lutar pela nossa felicidade contra tudo e contra todos?; Até onde devemos seguir os costumes da sociedade? Devemos preocuparmo-nos com o que os outros dizem?"

 

 

O filme de 1997 surpreendeu-me bastante. Imagino o quão complicado será colocar num filme toda a história de Anna Karenina, no entanto acho que o fizeram brilhantemente! Vi o filme depois de ler o livro e tinha toda a história muito presente na minha mente e por isso mesmo que haja falhas no filme eu consegui colmatá-las. A actriz que interpreta Anna (Sophie Marceau) fá-lo a cem por cento, nela vi exactamente a Anna Karenina do livro.

 

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