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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Análise de Personagem: Edward Ferrars

Trago novamente Edward Ferrars à baila... desde este artigo, que senti que sempre julguei mal o seu carácter e por isso, tenho pesquisado mais sobre ele.

 

Título Original: Character Analysis: Edward Ferrars
Retirado do site: November's Autumn
Autor do Artigo: Katherine 15.05.10
Traduzido e Adaptado por Clara Ferreira

 

 


"Edward Ferrars não aparentava imediata simpatia por nenhuma graça peculiar da sua pessoa ou presença. Não era bonito e as suas maneiras precisavam de intimidade para se tornaram agradáveis. Era demasiado desconfiado para fazer justiça a ele mesmo; mas quando a sua natural timidez era ultrapassada, o seu comportamento dava todas as indicações de um coração aberto e afectuoso. A sua compreensão era boa e a sua educação garantira-lhe uma sólida melhoria. Mas ele não tinha habilidade nem disposição para responder aos desejos da sua mãe e irmã, que desejavam vê-lo disinguido por... nem elas sabiam bem de quê."

 

Não é surpresa nenhuma que ele tenha caído nos encantos de Lucy Steele. Ela sabia exactamente como agradá-lo com as suas observações pouco sinceras, e a bondade dele, acreditou que eram sinceras. Ela foi a primeira mulher que o tratou com gentileza e que não o tiranizava, como a mãe e irmã faziam. Ela deixava-o ser ele próprio. Podemos também supor que Mr. Pratt era um cavalheiro corerecto e íntegro, pela diferença de educação entre Edward e o seu irmão Robert, e por isso, o jovem Edward assumiu que Lucy seria também. Ao amadurecer apercebeu-se do seu erro de julgamento.

 

"Lucy aparentava tudo o que era amável e agradecido. Era bonita também - pelo menos, assim pensei na altura, e tinha visto muito pouco de outras mulheres, para poder fazer comparações e não vi qualquer defeito. Considerando tudo, na altura, assim espero, insensato como o nosso compromisso era, insensato como se tem provado que era, não era, à época, tão pouco natural assim, ou de imperdoável insensatez".

 

Era uma questão de honra, para um homem, manter o compromisso de noivado com uma senhora a quem propusera, só a senhora poderia romper esse compromisso. Imaginemos agora como ele se sentiu quando conheceu Elinor, sua igual, e se apaixonou mas teve de manter os seus sentimentos exclusivamente para si. Ver o contraste entre Elinor e Lucy e sabendo ele estar ligado para sempre com a última. O seu sofrimento foi igual ao de Elinor, se não maiores, por ser dele a insensatez que causava tanta dor.

 

"Eu pensei, simplesmente, que pela fé estar ligada a outra, não haveria nenhum perigo em estar contigo; e que a consciência do meu compromisso manteria o meu coração tão sagrado e protegido como a minha honra. Eu senti que te admirava, mas disse a mim próprio que era apenas amizade; e até começar a comparar-te com Lucy eu não sabia para onde caminhava".

 

Mas quando ele é deserdado, em vez de se "livrar" do compromisso e tomar um caminho mais simples, uma vida de riqueza com uma mulher que não amava, ele escolhe pobreza e sofrimento com Lucy Steele.

 

"Tudo o que Mrs. Ferrars podia dizer para o fazer renunciar ao compromisso... não tinha efeito nenhum. Dever, afecto, tudo era negligenciado. Nunca pensei que Edward fosse tão teimoso e tão insensível. A sua mãe explicou-lhe os seus planos liberais, no caso de ele casar com Miss Morton; disse-lhe que lhe daria a propriedade de Norfolk para se estabelecer que, livre de impostos, renderia 1000 ao ano; ofereceu ainda, quando a situação se agravou, 12 000; e em oposição a isto, se ele persistisse nessa baixa conexão, apresentou-lhe a certa penúria de que resultaria o casamento. Os seus 2000 pounds seriam apenas o que teria; ela nunca mais o veria; não lhe prestaria a mínima assistência e caso ele se decidisse por alguma profissão com vistas a maiores rendimentos, ela faria tudo ao seu alcance para garantir que ele não avançava"

 

Foi este honorável acto que verdadeiramente cativa o leitor, que o salva financeiramente pelo Coronel Brandon que lhe oferece a paróquia de Delafort e que lhe permite, no fim, casar com Elinor.