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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Shortstory – parte 50

Anne derramou algumas lágrimas de emoção quando se apercebeu quem era a nova visita que acabava de entrar no quarto. Nos últimos minutos, tinha-se sentido quase a adormecer, já que o seu corpo ainda estava fraco das provações anteriores e a sua alma muito conturbada com tantas emoções díspares. Wentworth e Fanny ainda ali se encontravam, já que todos os outros tinham descido e estavam no salão em animadas conversas, estabelecendo planos e tomando decisões, tomando chá e comendo scones.

 

- Lady Russell – exclamou Anne com lágrimas nos olhos.

 

- Minha filha – disse Lady Russell enquanto se aproximava dela e a abraçava – como lamento tanto ter-me enganado! Como estou arrependida! Poderás alguma vez perdoar-me?

 

Wentworth ergueu-se na intenção de sair dali, não se sentindo muito à vontade na presença daquela senhora de quem não tinha boa impressão, pela influência que exercera sobre Anne e que provavelmente ainda exercia, pela confiança que tivera no malfadado Elliot e pela responsabilidade em zelar pelo bem de Anne, facto que a seu ver, não havia ocorrido. Mas Lady Russell estendeu a mão para o cumprimentar, salientando o seu arrependimento.

 

- Senhor, aceite as minhas desculpas pelos erros que cometi. – murmurou ela – Estou deveras arrependida pelas minhas precipitações nos julgamentos que faço dos outros. Por favor, peço-lhe que fique comigo e com Anne e que conversemos…

 

Wentworth assentiu e voltou a sentar-se enquanto Lady Russell, visivelmente abatida, também se instalava ao lado de Anne.

 

 

 

Fanny tinha saído do quarto para os deixar conversar e encontrava-se já no salão, rodeada pelo primo Edmund Bertram e pelo irmão, William Price. De facto, este último afastava-se a todo o momento, resolvendo situações, oferecendo a sua ajuda a Georgiana que assumira o papel de dona da casa, já que Elizabeth se recolhera para descansar e Darcy se ocupava com os pormenores que então se debatiam. Os cavalheiros discutiam acaloradamente, combinavam pormenores e destinos, havia pela frente as exéquias do louco Elliot, alguém se lembrou que faltava ainda avisar sir Walter Elliot do falecimento do sobrinho.

 

- De facto, sir Walter Elliot já foi avisado. – disse o Almirante Croft – O Charles Musgrove tratou disso. Já enviámos um mensageiro com a comunicação desse facto, assim como breves relatos da situação do rapto. Parece que é importante que sir Walter saiba que a sua filha correu sérios riscos de vida e que todas as ilusões à volta deste herdeiro eram puras invenções.

 

General Tilney que estava sentado ali perto, também assentiu. Tinha-se sentido mal havia pouco mas já recuperara, pois Georgiana acorrera solícita, pedindo que lhe levassem um chá e uma fatia de bolo. Apesar de sentir as suas energias já recuperadas, General Tilney estava ainda muito perturbado com as emoções recentes, logo ele que nunca se perturbava nem parecia emocionar-se! Já não se reconhecia a si próprio, sentindo que uma carapaça exterior que durante muitos anos mostrara aos outros se estava a desfazer, como se fosse uma máscara de papelão, afetada e desfeita pela chuva!

Nesta nova versão de si próprio, General Tilney sentia que o coração lhe batia apressadamente no peito.