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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Shortstory 2 / Parte 46

Com a voz embargada pela comoção, rodeada por aqueles que gostavam dela, com as mãos de Wentworth nas suas, Anne foi contando a sua história.

- No dia em que cheguei a casa de minha irmã Mary, encontrei-a queixosa como sempre. Sentia-me ansiosa por te ver, meu querido Wentworth, soube que também estavam mais convidados em KellynchHall… - Anne olhou para Fanny Price que lhe sorriu.

- Nunca imaginei que sucederia o que aconteceu a seguir… – Anne continuou a sua história após uma breve pausa em que Emma a ajudou a beber um gole de água – Mary dizia que estava exausta, que precisava de se deitar um pouco antes de iniciarmos os preparativos para o jantar. Foi então que ele chegou, ele…

Anne não conseguiu evitar que as lágrimas lhe assomassem aos olhos. Elizabeth estremeceu e levou as mãos à barriga. Darcy abraçou-a.

- O meu primo Elliot, aquele indivíduo horrendo apareceu. – continuou Anne, com um suspiro – Ouvi-lhe a bengala e estranhei porque não o esperava, tínhamos conversado sobre o final do nosso noivado e ele tinha ficado calado, parecendo aceitar, embora por vezes tivesse conversas estranhas, como se continuássemos como antes. Mas ele apareceu ali, Mary tinha-se ido deitar e os criados estavam não sei onde… então ele apareceu por ali com uma conversa estranha sobre meu pai que não se sentia bem e estava ali perto… tinha uma carruagem à espera para me levar até ele, uma conversa deveras estranha…

General Tilney não conseguiu conter-se, de tal forma se sentia furioso:

- O grande safardana! – guinchou ele.

Anne suspirou e deixou cair a cabeça na almofada.

- E eu fui atrás dele. Não disse nada a Mary para não a preocupar e também porque não me ocorreu. Fiquei preocupada com meu pai e não pensei em mais nada, nem na estranheza da situação, nem em não estarem outras pessoas presentes… confiei nele e deixei-me levar. Esse foi o meu grande erro.

- Não te martirizes, meu amor… - disse meigamente Wentworth – Como poderias tu saber que era tudo mentira? Acreditaste como outras pessoas o poderiam ter feito.

- Depois ele levou-me para uma carruagem estranha, com cortinas pesadas, ajudou-me a entrar e sentou-se ao meu lado, sempre com a conversa de meu pai estar a sentir-se mal e precisar da minha presença… - Anne fez um sorriso breve – como se alguma vez meu pai se lembrasse de mim a não ser para ser a filha invisível para aceder aos seus caprichos!

Emma suspirou e os seus olhos cruzaram-se com os de Mr. Knightley, parecendo ver neles uma luminosidade nova. Sem saber muito bem porquê, Emma sentiu um arrepio de frio.

- Após algum tempo, não sei quanto, chegámos a um lugar junto ao mar – disse Anne – um palacete que mais parecia uma fortaleza… era junto ao mar, erguido no cimo dos penhascos…

- BlackThunder! – exclamou General Tilney e todos olharam para ele.

- É uma propriedade que me pertence - General Tilney sentiu necessidade de se explicar – e que há muito não visito. Mas aquele safardanas pediu-me que lho emprestasse, disse que precisava de estar só para refletir…

- A mim disse-me que era ali que estava meu pai e me esperava. – disse Anne – Disse que como sir Walter não se sentia bem, estava deitado e eu acreditei. Não vi ninguém e devia ter estranhado por isso, mas ele parecia tão preocupado como eu. Dizia constantemente que Sir Walter podia morrer a qualquer instante e que seríamos egoístas por não o acudir a tempo… não me lembrei de lhe perguntar porque não levara um médico, era tudo tão súbito e estranho e eu fui acreditando em todos os disparates que ele contava.

- Se quiseres parar, se te sentes cansada… - disse  Wentworth com doçura.

- Não – disse Anne mais uma vez – vou contar tudo, como vos disse. Já me sinto muito melhor desde que estou aqui…

- A carruagem parou e saímos os dois, ele sempre com a mesma conversa. – continuou Anne – Depois a carruagem foi embora, nunca cheguei a ver o cocheiro, nada, só a conversa de meu pai já moribundo a precisar de mim. E entrámos os dois no palacete.

 

 

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