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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Shortstory 2 / Parte 45

Enquanto muito lentamente, Anne voltava à vida, ainda atordoada, rodeada pelo seu amado e agora declarado Wentworth, e pelos amigos muito preocupados com a sua situação, em Bath, Catherine Thorpe e Henry Tilney descobriam que estavam apaixonados um pelo outro, nenhum deles fazendo ideia do que se estava a passar em Pemberley.

Com efeito, nos últimos tempos, Catherine tinha sido apoiada e acarinhada por todos aqueles que a amavam e desejavam desse modo ajudar a ultrapassar a situação da sua viuvez e das descobertas desagradáveis sobre o verdadeiro carácter do falecido John Thorpe, assim como propiciar as melhores condições para a sua recuperação. Todos sabiam como Catherine tinha ficado inconsciente durante dias e receavam que houvesse sequelas, embora nada na agora saudável e muito calma e sensata Catherine, o pudesse indiciar. Assim, após uma temporada passada com as amigas Elinor Ferrars e Marianne Brandon, Catherine visitara ainda os pais, não deixando de se maravilhar com as mudanças significativas nos irmãos e nas irmãs mais novos, que estavam cada vez mais bonitos e inteligentes! E mais uma vez, em Wiltshire, perto de Fullerton, onde moravam os Morland e os Allen, sendo estes últimos grandes protetores de Catherine, manifestaram a sua intenção de a levar para Bath, juntamente com o irmão, James Morland e a sua outra protegida, também ela grande amiga de Catherine.

Durante esse tempo, sendo apaparicada e acolhida por todos, correspondendo-se com Henry Tilney em cartas cada vez mais longas onde cada um expressava os mais profundos sentimentos, Catherine começou a sentir que se tinha agora tornado numa verdadeira heroína, não no desassossego e precipitação de tempos idos, mas de forma muito mais madura e consistente. Catherine estava agora a sentir-se muito mais crescida e amadurecida.

Em Bath, os Allen não se pouparam a esforços para a fazer mais feliz. Apesar de não ser ainda conveniente que Catherine, de acordo com as práticas sociais, se expusesse muito devido à recente viuvez, a presença do irmão mais velho e o facto de ser inverno e os convívios se fazerem mais dentro de portas, em almoços, chás e jantares em salas resguardadas e aquecidas, longe das vistas, tornaram possível um alegre convívio com Henry e Elinor Tilney que ali também estavam a passar algum tempo, longe do pai, há muito não sabendo dele.

Numa conversa, Henry até confessou:

. Nem sei o que se passa com o nosso pai, há semanas que não sabemos dele! Tem sido um alívio tão grande não ter a pressão dele constantemente à nossa volta…

- Apontando-nos possíveis casamentos de conveniência, sempre a querer saber onde vamos e quem conhecemos! – concluiu a irmã, Elinor, dando uma gargalhada, sentindo-se agora muito mais leve, sem a pressão constante do pai.

De facto, Elinor tinha-se apaixonado por um amigo do seu irmão, um autêntico cavalheiro de quem seu pai não gostava porque não reunia os requisitos económicos que tanto importavam ao severo Coronel Tilney. Mas agora, que o pai parecia ter-se esquecido deles e os deixara ali em Bath, livres de conviver com os seus amigos, Henry e Elinor sentiam-se tão felizes e libertos das amarras e ameaças que sobre eles pairavam, sempre que sentiam os planos que o pai tecia em seu nome, que a liberdade lhes sabia bem. De facto, Henry estava aliviado pela fuga de Harriet que o libertara de um compromisso tão pesado e sentia-se agora completamente feliz na companhia de Catherine e dos outros, esboçando planos de futuro, como se as sombras tenebrosas que os assombravam tivessem subitamente desaparecido.

Também James Morland se sentia feliz, esquecido já da paixão que em tempos havia sentido pela disparatada Isabella, que depois veio a ser cunhada da sua irmã! Agora havia uma esperança na sua vida na figura de uma jovem muito bela, deslumbrante e sensata, que dava os primeiros passos na sociedade em Bath, protegida pelos Allen, que requisitavam a sua companhia desde o malogrado casamento de Catherine com Thorpe. Agora finalmente podiam estar todos juntos. Catherine já a conhecia e gostava muito dela, pois era a irmã mais nova das suas grandes amigas, Elinor e Marianne. A apaixonada de James Morland era a jovem Margaret Dashwood!

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