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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Sensibilidade e Bom Senso

 

"And among the merits and the happiness of Elinor and Marianne, let it not be ranked as the least considerable, that, though sisters, and living almost within sight of each other, they could live without disagreement between themselves, or producing coolness between their husbands"

Publicado em 1811, foi o primeiro romance de Jane Austen a ser publicado, sob o pseudónimo de " A Lady".

Jane Austen escreveu o primeiro rascunho desta obra em 1795, quando tinha cerca de 19 anos. Primeiramente chamado "Elinor and Marianne" e depois, definitivamente "Sense and Sensibility".

O meu livro preferido de Jane Austen; aquele que contém lá dentro a minha personagem preferida de sempre - Elinor Dashwood.

À semelhança de "Persuasion" este livro é totalmente absorvente, são tantas as desgraças que acontecem à família Dashwood que vivemos a história como se fôssemos uma das irmãs. O livro, fala-nos da possibilidade de amar uma segunda vez, tão fortemente como se ama a primeira vez.

A história possui duas personagens principais: Elinor e Marianne Dashwood (duas irmãs). O contraste entre ambas é enorme. Elinor revela um enorme bom senso e Marianne representa a emoção do seu maior esplendor. Acredita-se que estas duas irmãs foram criadas a partir de Jane Austen e da sua irmã Cassandra.

Tudo começa quando o pai de Elinor, Marianne e Margarett morre. Toda a sua fortuna passa para as mãos do filho do primeiro casamento (meio irmão de Elinor, Marianne e Margarett). As irmãs e a sua mãe ficam com uma pequena renda anual. O irmão e a sua mulher acabam por vir residir para Norland - a morada do pai, madrasta e meias-irmãs.

Mrs. Dashwood começa a procurar uma casa para poder ir viver com as suas filhas, um primo oferece-lhe uma pequena casa de campo em Barton e aí se acabam por estabelecer.

Elinor, razoável, sensata, prudente e com um enorme bom senso é o oposto da sua irmã, que vive tudo com a emoção à flor da pele, que não suporta ficar calada quando julga que algo está mal, que pouco que lhe importa o que os outros pensam das suas acções - Marianne é a eterna romântica que apenas acredita no único amor e que ninguém consegue amar novamente depois de ter encontrado o "amor da sua vida".

 

Muito acontece entretanto... Elinor, que pode por vezes parecer indiferente e fria, pois nada do que sente se reflecte (exageradamente) para fora, embora sinta tudo e de uma forma muito profunda, acaba por se apaixonar por Edward Ferrars, irmão da sua cunhada. Uma relação manifestamente impossível perante os olhos da família de Edward.

Marianne, apaixona-se por Willoughby... e também nós (leitores), a relação deles é claramente aquele "amor perfeito" em que acreditamos fielmente. No entanto, esta personagem acaba por nos decepcionar a todos, porque, afinal de contas, não era tão perfeito assim.

Há um capítulo, já no fim, em que Willoughby tem uma conversa com Elinor, onde se justifica ou explica as suas acções... e até eu, que lhe fiquei com um enorme "pó" depois do que ele fez à Marianne, consegui desculpá-lo, de certa forma.

O fim do livro é ao mesmo tempo fantástico e ao mesmo tempo de um certo desapontamento... fiquei muito feliz com Elinor pois acabou por se casar com Edward (o "amor da sua vida"), mas o destino de Marianne é, embora feliz, um destino alternativo, pois ela não acaba com o "amor da sua vida", eu senti que, ao casar-se com o Colonel Brandon, casou-se primeiramente pela grande amizade que tinham e que, acabou por se tornar em amor... o que não deixa de ser irónico, dado que era ela a "eterna romântica".

Deixo aqui um trecho do último capítulo que explica a situação de Marianne, em tudo diferente dos finais a que Jane Austen nos habituou, pois o de Marianne, aproxima-se mais da realidade da vida e não da felicidade eterna.

"Marianne Dashwood was born to an extraordinary fate. She was born to discover the falsehood of her own opinions, and to counteract, by her conduct, her most favourite maxims. She was born to overcome an affection formed so late in life as at seventeen, and with no sentiment superior to strong esteem and lively friendship, voluntarily to give her hand to another! (...)

But so it was. Instead of falling a sacrifice to an irresistible passion, (...) she found herself at nineteen submitting to new attachments, entering on new duties, placed in a new home, a wife, the mistress of a family, and the patroness of a village.

(...) and that Marianne found her own happiness in forming his, was equally the persuasion and delight of each observing friend. Marianne could never love by halves; and her whole heart became, in time, as much devoted to her husband as it had once been to Willoughby."

A série mais recente da BBC (2008) está muito bem adaptada, embora nem sempre de acordo com o livro, transmite muito bem a obra.