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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Shortstory 2 - Parte 25

Elinor não pode deixar de partilhar com Marianne que era um descanso não ter semelhante casal por perto numa altura tão crítica e embora lamentasse a causa que originava a sua partida, não sentia sequer um pingo de saudade de tais companhias. Harriet passava também muito do seu tempo seguindo Elinor de um lado para o outro pois, ao que Elinor percebeu, Marianne exercia sobre ela um certo temor, tal era a facilidade com que expunha as suas opiniões. Tal facto, permitiu que Elinor ficasse a par de tudo o que Harriet dizia e tudo o que não dizia. Ficou a saber que o noivado com Mr. Tilney tinha sido consequência de uma grande precipitação provocada pelo pai de Henry, o General Tilney.

 

Harriet, tinha conhecido Henry em Bath, numa temporada que lá passou com uma família sua conhecida. Durante o pequeno período de convivência apreciara sempre a sua companhia, que era extremamente agradável pois Henry sabia um pouco de tudo e falava muito com ela – Embora me custe muitas vezes perceber o que ele diz, sabe Mrs. Ferrars... – confidenciava Harriet muito tristemente. Elinor veio a saber, numa noite quando estavam apenas as duas juntas na sala de estar que Harriet descobrira apenas muito recentemente qual a sua origem. Era uma revelação muito pessoal e íntima, Elinor ficou espantada que Harriet lhe fizesse tamanha confidência, uma vez que o conhecimento entre ambas era ainda muito recente.


- Sabe, Mrs. Ferrars, só muito recentemente descobri que meu pai é Conde. Vivi sempre na escola de Mrs. Goddard, uma mulher incrível a quem muito devo e é lá que tenho todos os meus amigos e todos os que me são mais queridos – Harriet dizia tudo isto sem ponta de vaidade ou altivez, toda a frase transpirava a sua humildade inerente e Elinor percebia que o facto do pai ser Conde nada acrescentava ao espírito doce de Harriet.


– Depois, aconteceu tudo muito depressa... General Tilney pediu-me em casamento em nome do filho poucas semanas depois do  nosso conhecimento em Bath... – Elinor reparou no tom um tanto ou quanto desgostoso de Harriet. Desejou-lhe as felicidades da praxe colocando na sua aitude e palavras todo o carinho que lhe tinha e que crescia cada vez mais.


Nessa mesma noite, quando Elinor chegou ao seu quarto, encontrou Edward no corredor, fechando atrás de si a porta do quarto de Catherine.


- Ainda não acordou. Marianne está com ela... Estou preocupado, Elinor. – Elinor deu o braço ao marido, apertou-o com força e encostou ligeiramente a cabeça no seu ombro. Quando se encontraram na privacidade do seu quarto, Edward revelou um pouco mais sobre a razão para a sua preocupação.


- Thorpe ainda não deu nenhuma notícia... já cá devia ter uma resposta, tinha obrigação de ter cá uma resposta!


- É possível que venha ele próprio a caminho.


- Mesmo assim Elinor, Mrs. Thorpe está inconsciente vão já fazer quatro dias... um marido devia estar junto da mulher sempre, ainda para mais numa situação destas! – Elinor apertou-o num abraço muito profundo que transmitia muito mais do que quaisquer palavras conseguiriam. Entre eles reinava um entendimento silencioso e era isso que tornava tal relação em total harmonia.


No dia seguinte, chegou Mrs. Morland, que havia sido avisada por Elinor. Mrs. Morland agradeceu todos os cuidados e foi com um abraço muito maternal que finalizou os seus agradecimentos para com Elinor. Juntou-se depois a Marianne na vigília.


Catherine, antes do acidente, estava a aprender a ser heroína, lia todos os romances que constavam dos requisitos necessários e o seu dom de imaginação fazia o resto. Por isso, quando uma rapariga quer ser heroína, nenhum casamento infeliz a pode impedir. E assim, ao quinto dia da sua inconsciência, Edward Ferrars recebeu uma terrível notícia. Tom Bertram, amigo de longa data de Thorpe, chegara de madrugada a casa dos Ferrars dizendo que o amigo falecera em virtude de um terrível desastre ocorrido na corrida de cavalos a que assistiam.


- Thorpe correu para junto da pista e foi abalrroado por dezenas de cavalos, o que provocou a sua morte imediata – dizia isto enquanto lhe corriam lágrimas nos olhos - Thorpe sempre gostou tanto de cavalos... – rematou ele e esboçou um ténue sorriso como que admirado pela ironia da vida.


Catherine acordou da sua letargia, viúva. Dada a sua debilidade, todos optaram por não lhe dar a notícia de imediato e assim decorreram vários dias. Quando Mrs. Morland lhe deu a terrível novidade, Catherine caiu num enorme desgosto. Tinha muita estima pelo marido, embora soubesse que ele não lhe era igualmente devotado. Mas não nos esqueçamos, Catherine estava em vias de se tornar heroína, logo, alguma coisa aconteceria para que se deparasse com um herói.



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