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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Ser Mãe

As figuras femininas criadas por Jane Austen são extremamente características. Encontramo-las numa diversidade de  idades, feitios e personalidades. Ao focalizarmos a atenção nas figuras materna s, de obra em obra, vemo-las a assumirem posições muito distintas. Podemos encontrar, a grosso modo,  quatro tipos de mães: as empenhadas, as autoritárias, as amorosas e as indiferentes.

 

As empenhadas são aquelas que vivem pela  felicidade dos filhos. Regra geral, estas valorizam que os/as filhos/as alcancem status social e sejam beneficiados financeiramente através do casamento.  Exemplo vivo disto é Mrs. Bennet (O&P).  Dentro desta categoria, há algumas que acreditam que a felicidade pode derivar do casamento com amor, como é o caso de Mrs. Dashwood (S&S).

As autoritárias procuram vale r a sua vontade. Aquilo que elas sonham para os filhos deverá ser assumido por estes como sendo o caminho a seguir. Impossível deixar de referir Mrs. Ferrars (S&S) e Lady Catherine de Bourgh (O&P).

As amorosas são aquelas mulheres que são deliciosamente adoráveis. Terão os seus defeitos, é bem verdade, mas no fim das contas pensamos com carinho dos seus gestos de generosidade. Lembro-me de Mrs. Jennings (S&S), tão generosa com as filhas e também com as meninas Dashwood; e de Mrs. Morland (Abadia de Northanger), tão sábia e atenta aos filhos.

 As indiferentes não têm qualquer  relevância na vida dos filhos.  Lady Bertham (Mansfield Park) e a própria mãe de Fanny Price  assomam-se  na memória de imediato. A primeira por viver numa total indolência, alheia à tudo o que acontece aos filhos. Como se a vida  fosse um sonho etéreo, sem preocupações ou incumbências. A segunda, por uma certa frieza. A pobreza e a necessidade parecem ter-lhe entorpecido a capacidade de sentir e doar afecto.

 

De referir ainda um aspecto relevante. Há duas obras em que encontramos protagonistas órfãs: Emma (Emma) e Persuasão (Anne Elliot).  E ambas não podiam ser mais distintas em personalidade: Emma, sociável, senhora de si mesma, das suas vontades e acções, foco de tudo e de todos; Anne Elliot, solitária, tímida, reservada e presa às vontades de tudo e de todos. Ambas tiveram duas figuras femininas que vieram substituir a presença da mãe. No caso de Emma, a preceptora Mrs. Weston. No caso de Anne Elliot, uma amiga íntima da família - Lady Russell. Apesar de ambas terem acompanhado o crescimento e desenvolvimento de ambas protagonistas e de lhes terem dedicado real afecto, é de questionar se Emma e Anne teriam tido personalidades e percursos diferentes dos que tiveram. Até que ponto a presença da mãe teria representado um impacto real?

 

Levanto esta questão porque parece-me, muitas vezes, que Jane Austen concebeu personagens paternos mais carismáticos do que as personagens maternas.  "Sensibilidade e Bom Senso" parece ser a obra em que o relacionamento mãe-filha/o é mais destacado. 

 

Levanto ainda as questões: será que para Jane Austen o relacionamento mãe-filho/a e o papel da mãe no seio familiar seriam relevantes? 

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