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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Uma crítica aos escritores dos romances em Jane Austen

Logo nas primeiras páginas da Abadia de Northanger, Jane Austen lança um ataque ferveroso a todos os críticos e escritores cépticos dos romances. Quando terminei esta passagem não pude deixar de sorrir. Esta constitui uma tomada de posição que seguiria na sua vida e, principalmente, na sua obra. Senão, poderia Jane Austen ter optado por outro tipo de matéria literária? Sabemos que a sua educação ficou cingida aos poucos livros que detinha a sua família que, para a altura, era uma colecção considerável, tendo a leitura destes influenciado a sua já natural inclinação para a escrita. Mas seriam as matérias ali disponíveis suficientemente alargadas para a influenciar noutro sentido? Acredito que não. Creio que Jane Austen detinha já uma inclinação natural de observação e assimilação de factos quotidianos e, bem assim, para a sua transcrição para o papel. Possuía uma imaginação que lhe permitia construir estórias engraçadas baseadas em factos reais.

 

Esta passagem, embora longa, é digna de registo e reflexão. Dentro de uma sátira objectivamente direccionada ao romance fantástico temos uma posição passional relativa ao romance em si. Ou seja, Jane diz-nos sim ao romance, mas não ao fantástico. Deixo então a passagem de que vos falo. O que acham?

 

"Sim, romances, pois não vou adoptar aquele hábito tão pouco generoso e tão rude que é comum entre os escritores de romances, para o qual eles próprios contribeum, de denegrir pelo desprezo das sua censura os seus próprios frutos, aliando-se aos seus maiores inimigos, conferindo os piores epítetos a tais obras e raramente permitindo que sejam lidos pela sua heroína, a qual, se por acaso encontrar um romance, seguramente virará as suas insípidas páginas com evidente desprezo. Ai de mim! Se a heroína de um romance não for amparada pela heroína de outro, de quem poderá esperar protecção e respeito? Eu não o posso aprovar. Deixemos isso aos críticos, que eles maltratem como bem entenderem tais efusões de imaginação, e que acerca de cada novo romance falem nos esforços gastos com o lixo sobre o qual a imprensa agora se debruça."

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