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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Orgulho e Preconceito, uma teia bem urdida de relações

Este mês, como sabem, iremos falar das relações familiares em Orgulho e Preconceito. Já algum dia pensaram como as várias relações existentes entre os vários personagens acabam por ser o grande motor desta obra? Em nenhum outro livro que li de Jane Austen, me parece que essa teia de relações foi tão bem urdida e serve de formula quase matemática para fazer a estória avançar. Há uma série que relações que se fossem de outra forma não proporcionariam o desenrolar da estória tal como ela acontece. Terá Jane Austen criado os personagens à medida que foi precisando deles ou terá feito um esquema?

Ora vejamos, temos a familia Bennet, pai, mãe e cinco filhas que precisam de um marido, já que nenhuma delas irá herdar a propriedade. Surge em cena Collins, o primo, que se fosse um homem sensato até não seria um mau partido para Lizzy, Jane já estava sobre o feitiço de Bingley. Mary estava ocupada com o desenvolvimento dos seus talentos e para Lydia e Kitty, ele nunca podia ter algum encanto já que não usava uniforme. Mas Collins está longe de ser sensato e é na verdade um homem tolo e vaidoso, embora tenha uma boa situação na vida. Charlotte Lucas, que quer apenas casar, não querendo nada com o amor acaba por arranjar forma de ele a pedir em casamento, após a recusa de Lizzy. As manhas que Charlotte usou serão sempre um grande mistério. Agora reparem como a teia foi bem urdida, Charlotte podia ser apenas uma vizinha alguém que a família Bennet conhece, mas não ela é a melhor amiga de Elizabeth e é essa relação de grande amizade que proporciona a visita de Elizabeth ao Kent e o reencontro com Mr. Darcy. Acredito que se fossem apenas vizinhas a visita não acontecia naquela altura não se viajava tanto como hoje, pois como sabem as estradas não eram muito boas e o comboio ainda não existia. No Kent, há outra relação que também foi pensada, Mr. Collins podia ter por patrona uma velha rica e maçadora, mas ela é também tia de Darcy, que a visita todos os anos. Ora mais uma vez a relação de parentesco permite o reencontro entre Darcy e Elizabeth, que de certa forma é inesperado.

Porém o reencontro é desastroso e só um novo encontro proporcionado pelos Tios Gardiner é que resolve as coisas. Estes tios tinham um grande carinho por Elizabeth e por isso mesmo ela é a escolhida para ir como eles na visita ao Derbyshire. São também eles que vivem em Londres e acolhem Jane, que nessa visita descobre que Caroline Bingley não é muito boa pessoa.

Por fim chegamos a Lydia, a tresloucada da família que foge com um belo homem de uniforme, George Wickham. Ora este rapaz é filho do antigo administrador do pai de Darcy, se o nosso Mr. Darcy não o conhecesse era possível que nunca tivessem encontrado o feliz casal; afinal é ele que graças ao conhecimento que tem das antigas relações de Wickham acaba por encontrá-los.

Como vêem as relações estabelecidas entre os vários personagens acabam por ser um motor que ajuda a desenrolar a acção. Por isso acredito que a teia de relações foi bem urdida ou talvez como alguém disse uma vez: Jane Austen não queria acabar Orgulho e Preconceito e por isso foi acrescentando mais e mais desenvolvimentos e personagens...

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