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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

As Cartas de Mansfield Park

 

A obra de Jane Austen está repleta de cartas, todas elas cruciais para o desenrolar da história - Mansfield Park não é excepção.

 

Em Mansfield Park estão sempre presentes as cartas trocadas entre Fanny e William, o seu irmão - cartas estas extremosamente defendidas por Fanny quando Mary Crawford critica os "irmãos" de escreverem cartas curtas e irregulares. É também com uma destas cartas para William que se inicia a terna relação entre Fanny e Edmund, quando este se dispõe a ajudar e a fornecer à prima todo o material para ela escrever a carta ao irmão.

 

Mais tarde, já no final da história, surgem as cartas trocadas entre Fanny e Lady Bertram que vão dando conhecimento a Fanny do que se passa em Mansfield Park enquanto esta está ausente junto da família em Porthsmouth. São cartas curiosas pois, pela primeira vez, Mansfield Park deixa de ser o cenário base da história, todavia, nunca nos separamos de Mansfield, as cartas de Lady Bertram, deixam em nós curiosidade e preocupação sobre aquilo que virá a acontecer.

 

Por esta altura conhecemos também as cartas trocadas entre Fanny e Mary Crawford, uma vez que esta última tanto insistiu para manter regularmente correspondência com Fanny. É através dela que temos um vislumbre da nova vida de Mrs. Rushworth e também uma série de "à partes" sobre Edmund, que teima em só escrever a Fanny depois de tudo dar para o torto. Há também a duas cartas de Edmund para Fanny. Uma carta longa e muito íntima, onde este lhe revela toda a sua cegueira em relação a Mary Crawford, todas as suas expectativas frustradas - no fundo admite o quão errado estava em ter amado alguém que, de facto, não existia, uma Mary Crawford que tinha idealizado em torno da beleza exterior daquela mulher. E por último, a carta de Edmund onde ele diz que a vai buscar juntamente com Susan - que alívio!

 

As cartas em Mansfield Park servem muito para manter Mansfield presente. Se na maior parte da história, estamos, enquanto leitores, dentro de Fanny, apreciando todos os outros pelos seus olhos e conhecendo todos os seus sentimentos enquanto a história se desenrola - qual peça de teatro - à frente dos seus olhos, onde ela é uma mera espectadora. As cartas, durante a estadia em Portsmouth, servem quase o mesmo propósito, embora Fanny não esteja presente, embora por outros olhos, mantemos, juntamente com Fanny, a nossa posição de espectadores. Toda a acção se desenrola de linha para linha em todas as cartas que Fanny recebe.

 

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