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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Lost in Jane Austen Portugal #21

Por um segundo, Cecília hesitou deveria ela contar-lhe sobre o telefonema? Ou tentar averiguar mais? Decidida a começar de novo, sem enganos ou mentiras, Cecília contou-lhe.

Foi com muito esforço que Henrique não desatou à gargalhada, não havia motivos para preocupações na sua opinião, todos os dias o telemóvel do seu colega de trabalho Paulo tocava por volta das seis, era a sua namorada. Possivelmente Júlia tinha um apaixonado.

Cecília não acreditava que fosse esse o caso da irmã, reparava como ela ficava tensa, nervosa. Por isso achava que não podia ser um telefonema de amor, mas não disse nada.

Júlia pensou em não atender, mas sabia que se não o fizesse o telemóvel iria voltar a tocar.

 

- Minha querida, pensava que não ia atender!

 

- Estava ocupada - foi a resposta seca de Júlia.

 

- Sabe, hoje vi algo que não gostei. Sabe do que falo?

 

- Calculo que não tenha gostado de ver o seu irmão agarrado à minha irmã?

 

-Exacto, a minha querida está a faltar ao combinado.

 

- E como espera que eu cumpra o combinado?

 

- Ora, Júlia, tanta imaginação nos livros que escreve e tão pouca na vida real?

 

Júlia suspirou e voltou a suspirar, antes de dizer:

 

- Afinal o que tem contra a minha irmã, tirando o facto de ela ser pobre?

 

-Somente isso, o meu irmão podia unir-se a uma mulher rica e não empobrecer ao lado de alguém não tem fortuna de família.

 

- Acho que desta vez não vai conseguir separá-los!

 

- Minha querida, sabe que se isso não acontecer quem sofre é a sua irmã. Já sabe, seja uma boa colaboradora e todos ficamos a ganhar. Se fosse uma mulher bonita sugeria que seduzisse o meu irmão, mas tendo tão poucos atractivos duvido que consiga. Júlia, devia ter cultivada beleza e não a mente, os homens não gostam de mulheres inteligentes!

 

Júlia estava tão habituada a ser insultada por Eduardo que estas palavras já não a magoavam. Todos os dias ele telefonava e certificava-se que ela cumpriria o combinado.

 

- Sabe, Júlia, tenho pena que você não seja como o Luluzinho. Ele soube jogar este jogo e você está sempre a hesitar.

 

- Claro, ela precisa do seu dinheiro para continuar a jogar e a pagar a mulheres que lhe aqueçam a cama à noite.

 

- Já que a Júlia não sabe o que fazer, eu arranjarei um plano, aguarde as minhas instruções.

 

 

Júlia lamentava ter um dia confiado em Luluzinho. Estava apaixonada e o amor deixou-a cega para tudo. Ele acabara por se revelar um canalha, e além disso vendera o segredo que ela lhe confiara a Eduardo. Ela era capaz de perdoar todos os defeitos e más acções dele, mas trair assim a sua confiança, isso nunca! E assim Júlia perdera um homem que nunca a amara e mergulhou numa profunda tristeza que ninguém à sua volta percebia.

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