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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Top Jane Austen - quarta parte

 

Há imensos vilões a vaguear pelos livros de Jane Austen. Alguns mais canalhas do que vilãos. Alguns homens deploráveis e algumas mulheres absolutamente cheias de fel e vileza. Lembro-me de vários nomes: Mary Crawford, General Tilney, Lady Catherine de Bourgh, Miss Caroline Bingley, Lucy Steele…

Mas, nesta categoria, eu tenho que eleger dois nomes: Tia Norris | “Mansfield Park” e Fanny Dashwood | “S&BS”. Dentre todos os vilãos e vilãs de Jane Austen, estas duas mulheres são o ápice da vileza e quase pelos mesmos motivos: os seus gestos são movidos por pura vontade de humilhar, em pisar os sentimentos e a dignidade daquele/a que for mais desfavorecido/a. A Tia Norris não teve qualquer pudor em humilhar publicamente Fanny Price desde que ela chegou em Mansfield Park ainda criança. E tudo fez, ao longo da obra, para depreciar e para prejudicar o bem-estar da sobrinha. Até algo tão simples quanto aquecimento no quarto ela privou Fanny de usufruir. Fanny Dashwood também nunca perdeu a oportunidade de criticar e humilhar as irmãs Dashwood e Mrs. Dashwood. Manipulou o marido para este não ajudar financeiramente as irmãs e a madrasta, contribuiu para a separação precoce de Elinor e Edward e sempre procurou o afastamento do convívio delas com o seu marido (e irmão das Dashwood). Penso que se fosse do alcance dela, teria prejudicado ainda mais as Dashwood.

Para mim, ambas são desprezíveis e recalcadas.

 

 

Para mim, Henry Crawford, de Mansfield Park, será sempre o grande conquistador dentro da obra completa de Jane Austen. Ele não conquistava unicamente as mulheres com as suas atenções e charme mas também ganhava a simpatia e amizade de todos os homens da obra. A única conquista que não conseguiu concretizar totalmente foi a de Fanny Price. Ela também é a única que o fez ponderar desistir desta sua vocação epicurista. 

Em busca de redenção, enfeitiçado pelo carácter e constância de Fanny, esperançado de encontrar a felicidade nos braços dela, Henry Crawford persistiu; até que... desistiu. A tentação falou mais alto e Henry descaiu-se. Resta a questão, teria Henry permanecido um conquistador toda a sua vida? Eu acredito que sim. Gosto de pensar que ele procurasse uma "Fanny" em todas as suas aventuras...

 

 

Ambas demonstram as qualidades que eu reconheço nas amizades que cultivo: lealdade, verdade, frontalidade, compreensão, racionalidade, apoio e discernimento.  Charlotte Lucas e Elinor Dashwood não são o tipo de amigas "pancadinhas nas costas". Amizade não é unicamente fazer claque e estar nos momentos bons. Amizade é ombro para sustentar nos momentos difíceis mas também verdade para chamar a atenção daquilo que não fazemos bem. Charlotte Lucas e Elinor Dashwood são assim. Admiro o facto de elas serem terra-a-terra até na questão da amizade.  Eu tenho o privilégio de ter uma amiga que é uma verdadeira Elinor, e ela ainda não leu "S&BS" ;))

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