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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

LOST IN AUSTEN # 13

Enquanto isso, na casa da Tia Augusta, o silencio reinava. Tia Augusta cochilava serenamente em sua cadeira de balanço. Júlia, em seu quarto, relia um livro deitada em sua cama. Cecília ouvia uma música de Chico Buarque, cujos versos intensos de sentido e no baixo volume declaravam:

 

“... Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir...”.

 

 

A aparente calma do ambiente não era reflexo dos sentimentos contraditórios e turbulentos que dominavam duas de nossas personagens: Júlia e Cecília. Apenas, Tia Augusta tinha a mente em repouso. Júlia pensava na solidão que a consumia ultimamente. Mesmo tendo a presença constante da Tia, sentia falta da convivência com outras pessoas, de se distrair um pouco, de se desligar da sua rotina. Estava também preocupada com o status atual de sua relação com a irmã, ambas muito distantes uma da outra e sem tentativas de reaproximação. Sentia-se triste, cansada, insatisfeita com as metas que tinha traçado para a sua vida.

 

Já Cecília curtia uma saudade intensa da vida que teve que abdicar. Será que algum dia esta tempestade irá passar? Experimentava uma sensação de desespero, queria tanto conversar com alguém. Pensou em Júlia, mas sempre a via absorta em seus pensamentos e estudos, focada em suas prioridades e com aparente indisponibilidade para conversas. A letra da música aflorava mais angústia em seu espírito.

 

De repente, a campainha tocou. Tia Augusta acordou assustada. “Seria novamente a D. Rata?”, pensou Júlia irritada e desceu as escadas para atender a porta.

 

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