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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Passeando com Harriet Smith (II)

 

Tornar-se alvo de uma amizade vinda de Miss Woodhouse deve ter sido uma grande surpresa para a incógnita Miss Smith. Tal situação poderia levar muito boa gente a considerar-se deveras importante e a deixar para trás toda e qualquer amizade pois agora acompanhava a Miss Woodhouse. Tal sobranceirismo não existe em Harriet. Vemos que ela mantém as amizades na escola e, embora incentivada no contrário por Emma, mantém relação com a família Martin.

 

"She was not struck by any thing remarkably clever in Miss Smith's conversation, but she found her altogether very engaging -- not inconveniently shy, not unwilling to talk -- and yet so far from pushing, shewing so proper and becoming a deference, seeming so pleasantly grateful for being admitted to Hartfield, and so artlessly impressed by the appearance of every thing in so superior a style to what she had been used to, that she must have good sense and deserve encouragement. "

 

Emma vê em Harriet um objecto para modelar a seu gosto. Harriet, com a sua simplicidade, venera Emma e alimenta-lhe uma certa vaidade que satisfaz o seu ego. Mas acima de tudo, preenche um certo vazio deixado por Miss Taylor - com Harriet, Emma não está sozinha.

 

"Harriet Smith's intimacy at Hartfield was soon a settled thing. Quick and decided in her ways, Emma lost no time in inviting, encouraging, and telling her to come very often; and as their acquaintance increased, so did their satisfaction in each other. As a walking companion, Emma had very early foreseen how useful she might find her. In that respect Mrs. Weston's loss had been important."

 

 

Embora não desgoste da amizade entre Emma e Harriet e o final da história seja bastante favorável... parece-me que Harriet serve apenas para provar a Emma quão negativa foi a sua influência. Emma melhorou-lhe as maneiras, enriqueceu-a com conteúdo mas também lhe deu esperanças frustradas, e quase pôs em causa a felicidade de tão terna criatura.

 

Mas não deixa de ser interessante que, no final de tudo, Harriet escolha, por iniciativa própria, o seu companheiro para o resto da vida, sem qualquer varinha de condão da nossa adorável Emma. É esta decisão que demosntra a evolução do carácter de Miss Smith, e Emma não deixa de ter razão quando, muitos capítulos antes afirma:

 

"Oh! Harriet may pick and choose. (...) And is she, at seventeen, just entering into life, just beginning to be known, to be wondered at because she does not accept the first offer she receives? No -- pray let her have time to look about her."

 

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