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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Lost in Jane Austen Portugal - #2

 

A convicção de estar a ser prudente e abnegada acima de tudo para bem dele, foi o seu principal consolo no tormento de uma separação. E, é preciso dizer, as separações são abismos. Não é fácil abraçar a distância. Não é fácil persistir num céu sem limites. Caminhar junto, mas separado. Fixar diferentes horizontes e fazer de conta de que se trata de um mesmo horizonte. Não, não é fácil.


Encosta a mão de encontro ao vidro da janela, como quem se apoia. Fica assim imóvel durante alguns minutos. A pensar. A pensar no adeus. Nas chegadas e nas partidas. No dilatar do coração impregnado de saudade. Inspira e expira demoradamente a frase: “tu és a minha imensidão”.

Pára, olha e vê. As mãos não acreditam. Abrem a janela. Abrem a janela para ver. As mãos abrem a janela para ver e o dilatar do coração inspira e expira “tu és a minha imensidão”.

Há a angústia, a esperança,  a convicção,  o tormento, a separação, a distância, a saudade. E há a imensidão. Janela aberta. Coração dilatado. E há, sobretudo, as mãos que não acreditam e os olhos que param, olham e vêm.