Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Henry Crawford #4

- ele era cego mas passou a ver –

 

Ela sempre esteve ali ao alcance de sua vista mas nunca lhe havia dado a devida atenção. Fanny, a discreta Fanny. A parente pobre. A jovem tímida e silenciosa. A única mulher que se atreveu a não lhe conceder a atenção que ele julgava ser merecedor. A única que demonstrou não encontrar o menor interesse na sua pessoa.


“Eu mesmo ainda não sei bem o que vou fazer de Miss Fanny. Não a compreendo. Não poderia dizer o que ela pretendia ontem à noite. Que temperamento tem ela? Será solene? Será esquisita? Será afectada? Por que teria se retraído e olhado para mim com um ar tão sério? Mal pude arrancar-lhe algumas palavras. Nunca estive tanto tempo em companhia de uma jovem, procurando entretê-la, que fosse tão mal sucedido! Nunca encontrei alguém que me olhasse com tanta severidade! Preciso tirar o melhor partido disto. O olhar dela me diz: “Não hei-de gostar de si e estou decidida a não gostar”; e eu digo que ela gostará.”


Henry não podia acreditar que Fanny não lhe caísse nas graças quando as suas duas primas – Maria e Julia – perderam-se de amor por ele. Ele não podia conceber que isso fosse possível e afirmou para si próprio que havia de conquistar Fanny. Havia de empenhar toda a sua arte de lisonja e de sedução para cumprir a missão de juntar Fanny Price à sua lista de conquistas.


Afinal quem Fanny Price julgava que era para menosprezar Henry Crawford?