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Jane Austen Portugal

O Blogue de Portugal dedicado à Escritora

Tom Bertram, o filho herdeiro

 

Tom Bertram é o herdeiro, o filho mais velho da família Bertram. Creio que é através dele que o não abordado tema da escravatura, ganha feição. Ele sofre dos mesmo defeitos que as irmãs, mimado, teimoso, orgulhoso... no entanto, ele também é um rebelde. Leva uma vida boémia, de luxo e de gastos exurbitantes, enquanto avançamos na obra estamos quase sempre, frente a frente com a sua constante ausência enquanto explora os prazeres da vida. Esta sua conduta é condenável. Assim como a insistência em fazer uma peça de teatro em casa, uma história repleta de adultério e maus costumes, falamos de Lover's Vows. Tom Bertram rebela-se contra o pai aquando da ida de ambos para Antigua, regressa e volta doente e abandonado pelos companheiros, é Yates que o trás de volta a casa. Como já aqui escrevi, é este facto que o vai transformar. Pela sua doença, Tom aprende a lição e ganha sensatez!Imagino-o sempre como o "filho pródigo" que esbanja todo o dinheiro do pai, vive uma vida de luxo e extravagância, regressa depois a casa, arrependido, abandonado por todos os que julgou seus amigos, de volta aos braços do pai que o recebe e recolhe como se ele sempre lá estivesse estado. A relação de Sir Thomas e Tom Bertram fez-me sempre lembrar este exemplo, daí que eu tenha Sir Thomas em tão alta conta, também porque Sir Thomas me faz lembrar muitas vezes o meu pai e Tom Bertram, o meu irmão. 

 

 

 

Tom Bertram é também um personagem que nos faz soltar umas quantas gargalhadas. Raquel, do Jane Austen em Português traduziu uma passagem deliciosa (aquando do aniversário de Fanny) que é exemplo disso mesmo, passo a citar:

 

— Teria muito prazer, respondeu ele alto e pulando da cadeira todo animado, gostaria muitíssimo; mas é que neste momento vou dançar. Venha /fanny, disse puxando-a pela mão, não perca mais tempo senão a dança acaba.
[...]

— Um pedido bastante modesto, palavra de honra! exclamou ele indignado, quando se afastavam. Pretender que eu fique preso numa mesa de jogo durante duas horas com ela e o Dr. Grant, que estão sempre brigando, e com aquela velha sorumbática, que entende tanto de cartas quanto de álgebra. Era melhor que minha boa tia não fosse tão solícita! E ainda por cima, me convidar de tal maneira! Sem a menor cerimónia, à vista de todos, para que eu não tivesse jeito de recusar. É o que mais detesto. Não há nada que me contrarie mais do que me convidarem por fingimento, e ao mesmo tempo ser abordado de tal maneira que não possa deixar de aceitar, seja lá para o que for! Se eu não tivesse tido a feliz idéia de ficar a seu lado, não poderia podido escapar desta. É muita perversidade. Mas quando minha tia mete uma idéia na cabeça não há quem possa com ela. | cap. 12, trad. Rachel de Queiroz |

 

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